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domingo, 23 de agosto de 2009

Hors Concours


É estranho, não estão entre aqueles que considero os melhores filmes já feitos, e nem sequer numa lista (Top 5? Com certeza não, talvez num 50) dos meus favoritos. Contundo tenho uma relação especial com as adaptações dos livros do inglês Nick Hornby Um Grande Garoto (About a Boy, 2002) e Alta Fidelidade (High Fidelity, 2000).
Para ser sincero nunca me identifiquei tanto com um personagem quanto com o "garoto adulto" Marcus (Nicholas Hoult); o verdadeiro protagonista, não o "adulto garoto" Will, papel de Hugh Grant. Resumindo: Will é um sacana que graças à herança de direitos autorais de músicas do pai usa seu tempo da mais maneira frívola imaginável, um dia percebe que as mulheres mais vulneráveis são as divorciadas e com filhos; Marcus descobre isto, só que ainda assim empurra a mãe para o sujeito, porque pateticamente é o único adulto, além do pai ausente que conhece. Não se vê muitas comédias românticas tão naturalmente bem escritas e sem ser baixo astral, falar de temas pesados como solidão, incapacidade de levar uma vida social, tristeza, suicídio. Na metade Marcus nos dá a melhor definição de amor já feita em celulóide, "I wanna be with her more, I wanna be with her all the time, and I wanna tell her things I don't even tell you or mum. And I don't want her to have another boyfriend. I suppose if I could have all those things, I wouldn't really mind if I touched her or not".
Veja aqui uma cena:



Alta Fidelidade é mais simples, Rob Gordon (John Cusack) leva um fora da namorada. Ela é uma advogada que está subindo na carreira, ele um coitado na bancarrota, dono de uma loja de LP's de vinil (você pode medir a seriedade de qualquer articulista cultural pela maneira como aborda a "volta triunfante do vinil", se insistir nesta cascata, deixe o cara falando ou escrevendo para outros pobres perdidos). É o gatilho para rememorar os cinco maiores foras que levou da vida, as cinco melhores faixas de aberturas dos discos, as cinco quaisquer mais coisas que o momento suscitar.
Desta vez tenho em comum o mesmo olhar ou a falta dele de Rob sobre a vida, amor e música. A frase de abertura é genial: "O que veio primeiro? A música ou a tristeza? Todos preocupados com crianças com armas, ou vendo filmes violentos, e toda espécie de cultura da violência, que os cerca. Ninguém parece preocupado com garotos ouvindo milhares, verdadeiramente milhares de músicas sobre separações, rejeição, dor, tristeza e perda. Eu ouço pop music porque estou triste ou sou tristre porque ouço pop music?", um dilema shakesperiano.
Pausa para um top 5 de músicas para este post (criteriosamente não utilizo nenhuma música das trilhas sonoras dos filmes). Do quinto para o primeiro:











O fecho de ouro é o diretor Stephen Frears, seja lá o que faça não consigo achar ruim seu trabalho, e para minha sorte ele tem colaborado: Minha Adorável Lavanderia (My Beautiful Laundrette, 1985), Ligações Perigosas (Dangerous Liaisons, 1988), Os Imorais (The Grifters,1990) (primeira parceiria com Cusack), Coisas Belas e Sujas (Dirty Pretty Things, 2002) e A Rainha (The Queen, 2006); ou os obscuros, modestos e controversos Heroi por Acidente (Hero, 1992), A Grande Família (The Snapper, 1993), Terra das Paixões (The Hi-Lo Country, 1998) e A Van (The Van, 1996).
Para quem chegou até aqui dois mimos. O primeiro tem que ser resgatado até a madrugada deste domingo para segunda, Alta Fidelidade será exibido na Sessão de Gala da REDE GLOBO. O outro é uma rara confidência pessoal do signatário. Há duas cenas que aconteceram muito semelhantes comigo. Para bem ou para o mal, nenhuma delas com Catherine Zeta-Jones (veja o filme, e veja que não estou sendo irônico aqui); para quem estiver disposto à caçada são dois diálogos, um de Rob com Ian "Ray" Raymond (Tim Robbins), o seguinte com Laura (Iben Hjejle).
Não estou envergonhado com esta confissão, com certeza você meu caro leitor também tem as suas.
Despeço-me com este trecho, ouça estas palavras de sabedoria:


sábado, 9 de maio de 2009

2 Histórias.

Sábado costumo tirar uma longa soneca. Acordo em torno das 4 horas da tarde, e passo o resto do dia checando e-mails, lendo os jornais e sites na internet. Hoje levantei mais cedo, por volta das 15:00hs, e como minha irmã usava o computador, resolvi ver um pouco de TV.
Lembrei-me porque adotei esta rotina, a melhor atração no momento era o programa do Luciano Huck, e isso é o bastante para dizer muito sobre a televisão aberta brasileira. Para comparação, o SBT apresentava a estréia de Netinho de Paula, no final, uma cópia deslavada do da Globo, só que mais brega, mais piegas, mais pobre, mais desinteressante, em suma: mais Netinho de Paula.
Num momento, Huck disse que fazia uma modernização do Cassino do Chacrinha. Ele está certo, as coincidências vão além de ocuparem o mesmo horário, em épocas diferentes. Os dois ganham muito dinheiro explorando a ignorancia, preconceito, sexualidade barata e pessoas necessitadas.
Duas historinhas rápidas sobre Chacrinha.
Década de 80 do século passado, sem MTV, MySpace, LastFM, MP3, bittorrent, o melhor da crítica especializada estava em meios marginais como franzines, ou rádios segmentadas. Para um grupo musical ser conhecido nacionalmente tinha que se apresentar na televisão. A Rede Globo, ciente de seu poder, era muito paparicada. Ter uma música na trilha sonora da novela (comercializada pela gravadora do grupo: Som Livre), estrear um clip no Fantástico, engolir o orgulho e encarar um playback no Globo de Ouro, era decisivo para o artista ou grupo estourar. No Cassino do Chacrinha, não tinha firula, bastava pagar, o que no jargão musical é conhecido como jabaculê. Não tem dinheiro na mão, sem problema, bastava fazer apresentações de graça nas intermináveis turnês de show, que Aberlado Barbosa promovia, tirando mais um por fora, bastava acertar as datas. O Ira! não topou, sabe-se que a discursão não se deu em termos amenos, e Leleco, filho do apresentador, responsável pela produção na televisão e agenda do pai, os pôs na geladeira, e durante muitos anos, não se apresentaram na emissora. E talvez, não por acaso, mesmo tendo grande canções, e o melhor guitarrista do rock brasileiro, Edgard Scandura, o Ira! nunca teve o mesmo destaque que figurinhas fáceis como Paralamas do Sucesso, e Titãs.
Muitos gênios também tiveram aspectos nas suas personalidades, ou biografias questionáveis, a lista é bem longa. só que Abelardo Barbosa não era gênio, só um enorme sacana. Qual seu legado afinal? Duas frases pouco inspiradas (eu vim para confudir, não para explicar; quem não se comunica se trumbica), e figuras como João Kleber, Elke Maravilha, Sidney Magal, Rita Cadillac, Gretchen...
Segunda história, mesmo século, meados dos ano 60's. De férias, o poeta João Cabral de Melo Neto visita amigos no Rio de Janeiro. No local, é anunciado que Chacrinha entrava. "Chacrinha, quem é Chacrinha?" perguntou João Cabral, que mesmo que pelo serviço no Itamaraty, atuava como cônsul em Barcelona, com um oceano de distância, era capaz de não saber quem chegava. Cruzando a mesa, Chacrinha solta um: "Cabral!!" a plenos pulmões. O outro responde: "Abelardo!" e se abraçam chorando. Explica-se: os dois foram colegas no Colégio Marista em Recife e não se viam há mais de trinta anos.

NOTA:

sábado, 13 de dezembro de 2008

Reminiscências


Era um pouco mais novo que o Bentinho menino, do começo de Dom Casmurro, quando li-o pela primeira vez. Detestei. Confessando isto, não tenho como não citar passagem do livro no Capítulo XVIII: "Ao relembrá-las não me acho ridículo, a adolescência e a infância, não são, nestes pontos ridículas; é um dos seus privilégios". Tive sorte, ao menos aqui, Bentinho permaneceu o mesmo garoto tolo e caprichoso até a velhice. Escuso-me a dizer que sou uma pessoa melhor em pespectiva, tornei-me mais cético, mais amargurado, mais recluso, em suma mais maduro. Aos 18 anos, sem compromisso, reli o Dom Casmurro, e fiquei maravilhado, principalmente pelo texto, que só então notei, hilário, e a cada vez mais engraçado em toda nova empreitada. Hoje me divirto na hipótese que no futuro tenha que engolir as palavras que escrevo, comentando a adaptação de Luís Fernando Carvalho, Capitu que acabou semana passada.
Caro leitor, desconfie de quem tenta modernizar qualquer clássico. Um cânone como tal é irretocável, não precisa desses escapismos. Não é que sejam desprovidos de falhas, ou lacunas; n'O Processo de Kafka, o Capítulo VIII está inacabado e assim ficou; e por mais esdrúxulo que seja para quem não leu, o resultado é de absoluta coesão. A manobra tem menos a ver com tornar mais acessível o autor, e sim para facilitar o trabalho do adaptador.
Menciono duas, na expressão da moda, reimaginações, não embusteiras, envolvendo o cânone dos cânones, Shakespeare. Uma delas seguramente a melhor versão já feita. Ricardo III (1995) de Richard Loncraine na direção e Sir Ian McKelley no papel título. Ação é transposta do final da Guerras das Rosas do século XV, para o XX década de 30. O simbolo estilizado do javali, as fardas negras do exército e apoiadores do Rei (lembrando as da SS nazista e os camisas negras da Itália facista), ao som de clássicos das big bands são espetaculares. Soluções como do monólogo inicial da peça (precedido de um prólogo eletrizante), um discurso transmitido à nação do baile de comemoração pelo fim da guerra civil, a ardilosa sedução de Lady Anne acontecendo no necrotério, maravilhosas.
Parafraseando o grande crítico de arte, Giulio Carlo Argan, Hamlet (1996) de Kenneth Branagh é um anti-clássico clássico, pela opção conservadora de usar o texto integral, o resultado é um filme de quatro horas. Existe uma versão editada para duas horas e meia, quem conhece as duas é unânime é apontar a maior como favorita, não só pelo óbvio do desenrolar da trama, mas também por ser mais agradável, não se sente o tempo passar. O cenário muda da recorrente tarcituna corte dinamarquesa na Idade Média, para um luxuoso e iluminado Elsinore, que poderia situar-se no pós-guerras napoleônicas. Além disso o castelo é repleto de espelhos, como se na tentativa que nada há de se esconder no reino; mais, os espelhos são entradas para as passagens secretas.

A mais acertada das escolhas de Luís Fernando Carvalho foi nas partes pinçadas para a mini-série, usar o texto original, sem enxertos, cenas adicionais e/ou explicativas. Colateral, o passo seguinte foi a recusa dum relato naturalista, optando pelo teatral; ironia fina, Machado de Assis é formalmente o introdutor da escola Realista no país (e por Memórias Póstumas de Brás Cubas, quem o leu, acha ainda mais graça do chiste), como falei acima, poupa o diretor de procurar saídas, todas no final, insastifatórias.
Decisões corretas, mas dada a complexidade da obra, se anda no fio da navalha, e várias vezes perdeu-se o siso. A caracterização de Bentinho idoso/narrador é carregadíssima, a postura curvada e encolhida, o tom de voz grave, enervava. Além do ridículo dos bigodes pintados com lápis preto, o personagem deve trazer um tom ridículo, só que, no fim, ficava o estúpido. Outros personagens pelo mesmo motivo estão apatetados como Tio Cosme e Prima Justina, caricaturas toscas. Quem acertou o tom foi Antônio Karnewale que casou de ter no agregado José Dias, com suas afetações, amor pelo superlativos, "no seu modo de dar uma feição monumental às idéias", todo excesso não apenas perdoado, e sim jocosamente insuficiente.
Uma coleção de ninharias, mas pelo volume maculam. Bentinho e Capitu, já casados saem para um passeio e toca Mercedes-Benz de Janis Joplin, num baile o casal antes da dança colocam os fones brancos de IPods. Um dos capítulos que mais gosto, o VI (O administrador interino) donde se extrai: "Viveu assim vinte dois meses na suposição de uma eterna interinidade" (obs.: grifo meu); é arruinada por um pedante Cheek to Cheek de Cole Porter.
Entretanto a mesma Cheek to Cheek funcionou ao ser executada na comovente cena da morte de José Dias. Outra: dona Maria da Glória sendo vestida ao som de God Save The Queen dos Sex Pistols, perfeito! Retrata uma ordem decrépita, porém poderosa, o fecho de ouro, troca-se os pajens andróginos e pálidos; o cortejo que acompanha a dama são mucamas com vistosos turbantes africanos. Ápice, a primeira entrada de Escobar com uma coreografia vigorosa ,acompanhando Iron Man do Black Sabbath.
Não tenho problemas com narrativas não-lineares (admiro David Lynch, e sim, gostei de Império dos Sonhos), enxurradas de conteúdo, ações e dados acontecendo ao mesmo tempo (O Livro de Cabeceira de Peter Greenaway é um dos melhores filmes que vi na vida), e cenários que exigem esforço da audiência (como Dogville e Manderlay). O nó górdio é quando tudo isso é por dissimulação, sem uma idéia de lastro. Tanto assim que apenas no último episódio alcançou o sublime. As "inovações" até diminuiram, mas agora são elegantes; no Capítulo CXXXV, Bentinho assiste Otelo, o Mouro de Veneza, no teatro, não a peça, o filme de Orson Wells , repentindo incessantemente a cena do assassinato de Desdêmona. Bentinho adulto e recém-casado com Capitu continua impostado, mas sem a mão-pesada (e sem bigodinho pintado à lápis). Neste dia a mais impressionante das cenas, o enterro de Escobar, cenário de um fundo branco, alvíssimo e infinito o cortejo se aproxima do féretro todos vestidos de negro. Ao final, Michel Melamed grandioso, na sequência quando Bentinho faz um discurso, o impacto do turbilhão de emoções, a dor pela morte do amigo, vergonha pela situação de expor-se, a dúvida se a mulher o traiu, a confusão tentando decidir que está sofrendo mais se a "suposta amante" de Escobar ou Sancha e o patético quando rasga o discurso e atira os pedaços no túmulo. Genial!
Um último desleixo ficou. Ezequiel visita o pai após a morte da mãe, no livro temos apenas o relato de Bentinho, e como ele reiteradas vezes diz, não é narrador confiável, ao vê-lo afirma, "Era o próprio, o exato, o verdadeiro Escobar. (...). Era o filho de seu pai". No livro fica a sutileza, na série o garoto era cuspido e escarrado o morto, importante os dois papéis não foram interpretados pelo mesmo ator. Ora, porque não aí fazer o ator usar uma máscara com a cara de Escobar. É legítimo deixar claro que a impressão é enviesada, do jeito que ficou, Capitu era mesmo uma rameira.
Carvalho no aspecto técnico é irrepreensível fotografia, iluminação, edição deveriam servir de referência para os novatos, o figurino é luxuoso. Mostra o tino para escolher protagonistas mulheres como já tinha feito com Simone Spoladore em Lavoura Arcaica (2001). A revelação, Letícia Persiles numa Capitu jovem, encantadora, vibrante, e Maria Fernanda Cândido (trívia: ela já esteve noutra adaptação de Dom Casmurro, e no mesmo papel, o pavoroso filme Dom, de Moacyr Góes), na agora mulher segura e elegante, a antítese de Bentinho, que não tem energia para nada. Capitu é a força motriz da trama, enquanto a teve ao lado ele teve uma vida, sem ela vai murchando. O verdadeiro mistério não é se ele traiu o marido com Escobar, é o que atraiu em Bentinho. Quem acredita que a resposta é a simples ascensão social, é tão vazio e vulgar quanto seus acusadores, coisa que Capitu não é.
Duas cenas de puro deslumbre:




quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Madeleine, Madeleine, Madeleine...

Jô Soares hoje é um zumbi, nada mais apropriado que esteja perdido, assombrando na madrugada. Como todo morto-vivo ele está atrás de miolos, comeu os dele primeiro e agora parte para devorar os nossos. Isso explica o porquê de tão preguiçoso, faz as chamadas do seu programa sentado, na introdução, praticamente limita-se a ler algo engraçadinho das correntes na internet, muito diferente quando fazia um legítimo e inspirado stand-up, repete as mesmas piadas e brincadeiras com o sexteto e o garçom, e nas entrevistas não parece se dar ao trabalho de pesquisar o convidado, passando a sensação de "vamos ver no que vai dar". E aquele elevador no cenário, serve para quê mesmo? Até fico feliz quando chega o horário de verão, durante o período o Programa do Jô termina uma hora mais cedo, e com sorte o Intercine programou um filme legal (e não tão porcamente cortado).
A salvação é quando aparece uma atração fora do padrão (não ajuda também a produção em sintonia como o chefe, agendado com tanta gente mixuruca). Tive uma surpresa ontem quando percebi que o programa ontem seria assim, e foi bem fortuito mesmo; pensava em dormir depois do Jornal da Globo e esperei, meio enfadado para ver quem estaria lá. E logo no começo abri um baita sorriso, era a fabulosa Madeleine Peyroux!!
Era só correr para o abraço, só que claro, abusaram da minha paciência, tive que atravessar dois blocos com uma entrevista qualquer nota com Andreia Beltrão junto a um moleque sem graça, divulgando um filme que ninguém vai ver. O gordo, no melhor estilo do seu ex-patrão, Sílvio Santos, constrangeu o coitado do menino, sem que ele percebesse. É capaz de se lembrar agradecido daquele momento.
Já com Madeleine perdeu-se um tempo enorme, e sem motivo, discutindo a eleição de Barack Obama nos EUA, noutro momento Jô Soares perguntou sobre influências de músicos ativistas no trabalho de Peyroux. Foi desconcertante pois ela não tem uma militância ativa e nem em suas canções percebe-se algo do tipo, na verdade é até bem reservada. Uma história divertida é que sua gravadora contratou um detetive particular para encontrá-la, pois ela tinha sumido na época da divulgação dum disco.
O que salvou a noite, foi Madeleine Peyroux, tímida mas simpática, com canjas de suas músicas. Em homenagem a ela, posto alguns vídeos das minhas canções favoritas. Para o leitor deste blog, que acha mais importante os posicionamentos políticos dela, o signatário informa que ela votou, pelo correio, em Obama, e está muito feliz por sua vitória.
Between the Bars:


Dance Me to The End of Love:


La Javainese:

sábado, 9 de agosto de 2008

Jogando para a platéia

Não importa o preço do barril de petróleo, o taxa de juros do Tesouro Americano ou a SELIC no Brasil, o índice BOVESPA; sempre foi um bom negócio ludibriar a platéia, e disso a cúpula da REDE RECORD sabe muito bem (e mais não falo, pelo risco de sofrer um processo).
Neste domingo a RECORD divulga que exibirá no TELA MÁXIMA, Mr Bean - Um Agente Muito Louco. Relevando essa cretinice do subtítulo, tem um outro problema, o Mr. Bean não está no filme. Ok, o filme é com seu intérprete, Rowan Atkinson, tem os mesmos trejeitos, só que desta vez o personagem, que dá nome ao filme no original (e inclusive ao DVD, pode procurar) é Johnny English.
O cartaz é tirado do site da emissora, que nem se deu o trabalho de editá-lo.
A RECORD que vem copiando tão descaradamente a GLOBO para alavancar sua audiência, como aluna aplicada repete a tradição da "Vênus Platinada" da manipulação de informação. Parabéns!!

quarta-feira, 30 de julho de 2008

O fim da civilização como a conhecemos

Então você tem uma sessão de filmes nomeada de CINE BELAS ARTES, e você agenda para apresentar logo a adaptação live-action do Scooby-Doo, que aliás é mais fraco que a continuação.
Não é sacanagem, confira no link.
E olha que o SBT tem o catálogo dos filmes de Stanley Kubrick, Michael Mann, os últimos deMartin Scorcese (menos Gangues de Nova York).

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Vida inteligente na madrugada, sério!!

Qual meu filme favorito? Para mim esta pergunta tem um significado bem específico, não é o melhor que assisti (até a data? Laranja Mecânica), também não é a raridade cult que praticamente ninguém mais viu (A Estrada Perdida), ou ainda o título odiado pela crítica (A Praia), nem a bobagem trash que desperta um estranho orgulho em defendê-la (Re-Animator), Para mim é aquele que estabeleceu não apenas uma singularidade quase instantânea comigo, mas que ao longo dos anos esta conexão só fez aumentar. Assim não tenho só um filme favorito, são três.
É verdade que assiste-os nos meus "anos de formação", dos 13 aos 17, só que não me rendo ao clichê. Acho desolador pessoas que não mais consigam se sensibilizar, ou que se tornam reféns dos gostos e códigos de uma época supostamente idílica. Espero ter deixado claro acima que minhas escolhas não são preponderamente cerebrais, também o são, mas há o elemento visceral. E com alegria que digo ser razoável que mais quatro filmes ascenderam ao panteão, e todos foram lançados depois de extraídos meus dentes do siso. Na ordem: Amnésia (Memento), Os Incríveis, Sunshine - Alerta Solar e Ratatouille. Só que isto é conversa daqui para dez anos.
A presente tríade sagrada, é harmônicamente dividida em: aquilo que eu sou, aquilo que amo, minha visão de mundo. Este post é dedicado ao último, se o tema surgir falo dos outros dois (uma dica: o primeiro é polônes, e o segundo, inglês).
Nesta sexta-feira no CORUJÃO da REDE GLOBO exibirá MASH de Robert Altman. Duvido que comece antes das três da madrugada... Pena, é uma das melhores comédias do cinema, deve existir uma regra tácita na televisão aberta que bane qualquer coisa remotamente inteligente a clandestinidade.
O título é um acrónimo em inglês de Hospital Cirúgico-Médico Móvel do Exército, e ação se passa na Guerra da Coréia. À primeira vista, parece de mal-gosto uma comédia sardônica numa guerra, ainda mais num acampamento médico. Só que o comportamento hedonista dos integrantes, acaba sendo um dos mais poderosos líbelos pacifistas já feitos. Produzido no mesmo período da Guerra do Vietnam, produzia um ligação, consciente, que demonstrava que ao contrário da Segunda Guerra Mundial, que combateu um sistema facínora, as duas eram batalhas sem lógica, pelo que afinal os EUA se meteram nessas duas enrascadas?
Aqui se burila o que no futuro seria a marca de Robert Altman, o estilo multifacetado com várias histórias e personagens que se entrecruzam, consagrado em Nashville, e elevado ao estágio sublime em Short Cuts - Cenas da Vida.
Por isso o filme é uma impagável sucessão de micagens e pegadinhas. As melhores são dirigidas contra o major certinho interpretado por Robert Duvall e a enfermeira-chefe, que depois de juntos serem desmascarados, passa a ser chamada de Hot Lips (lábios quentes).
Outra é quando o dentista residente, que por ser extremamente bem dotado, hããã e não me refiro aos seus méritos intelectuais, ganha o apelido de Painless (sem-dor), se descobre impotente e decide que a vida não tem mais sentido decidindo suicidar-se. Seus companheiros ao saber disso, em vez de solidarizar-se com o homem do jeito contrito, fazem uma festa de despedida de aromba. O ponto alto é quando apresentam uma música especialmente composta para a ocasião: Suicide Is Painless.


Não se deixe enganar, é uma das películas das mais argutas. Possivelmente este seja o motivo para que Robert Altman, o diretor, desprezasse a série de TV baseada no filme, o conteúdo político foi esvaziado em detrimento da comédia (o clip no alto é uma montagem com cenas do seriado). Para o imenso desgosto de Altman, houve 11 temporadas na televisão. M*A*S*H*, a série é uma espécie de Roque Santeiro americano, seu último episódio foi a maior audiência da história da televisão de lá. Salvo engano, o recorde se mantém até hoje.
MASH no Corujão de hoje, isso sim é que é vida inteligente na madrugada!

Atualizado:
  1. A GLOBO não facilita em nada. Jô Soares voltou das férias ainda mais preguiçoso, e com convidados soporíferos, para completar na seqüência, no INTERCINE estava programado a bomba Halloween - Ressurreição. Tirei uma soneca esperando o CORUJÃO. Lamentavelmente quando acordei já tinha corrido uma hora de MASH. Ainda sim valeu a pena, continua irretocável, e com o tempo só melhora.
  2. Vai entender. A mesma classificação indicativa do Ministério da Justiça que tasca um selo vermelho (restrito para maiores de 16 anos) para HOUSE, o que o impede de ser exibido antes da 23 horas, por linguagem forte, insinuação sexual, morte e drogas; deu um verde (livre para qualquer público) para MASH. Taí mais um exemplo de que a censura é essencialmente tacanha, e de que o humor é a arma de inteligência suprema, subversivelmente enganando o sistema.
  3. Deu um pouco de trabalho, mas achei a cena no YouTube onde tocam Suicide Is Painless, repare que no comecinho eles reproduzem as mesmas marcações d'A Última Ceia" de Leonardo DaVinci.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Meu cachorro não tem nariz

Como muitos da minha geração, e falo de pessoas com seus 30 anos (e sem papai rico para conhecer em primeira mão numa viagem de férias pela Europa), conheci o Monty Python na Sessão Comédia que a REDE GLOBO apresentava na madrugadas de segunda-feira. A exibição era tão madrugada adentro, que mesmo empolgado vendo A Vida de Brian (e importante dizer que só mais tarde é que entendi a relevância dos Pythons para a comédia moderna, mesmo sem nenhum contexto os ingleses já à primeira vista mesmerizam), não resisti e fui dormir na primeira metade do filme. Só recentemente assisti na íntegra na Edição Imaculada, que é como é chamado o DVD duplo.
A Sessão Comédia também consagrou um dos grandes engodos na dublagem brasileira no Em Busca do Cálice Sagrado. São antológicas as aparições dos temíveis Cavaleiros que Dizem Ni. Aprisionados por eles, o Rei Arthur e Sir Bedevere devem trazer um "shrubberie" ao covil deles. No desespero, os dois torturaram uma velha dum vilarejo até que por acaso, aparece um shrubberneiro, que oferece seus serviços e salva o dia. Ingenuamente, não só eu, mais todos meus amigos lembrando do trecho, pensavamos que o mote era que "shrubberie" era uma palavra inventada, daí o terror dos personagens. E não é que dois anos atrás vendo o DVD, com som original e legendas, finalmente descubro que "shrubberie" significa "canteiro de jardim". Meio atônito, até usei o zoom no controle remoto para ver o cercadinho no canto da tela. A vida real é que é a verdadeira piada.
Pensei neste post sobre o Monty Python quando li sobre os 50 melhores sketches cômicos de todos os tempos, eleitos pelo site NERVE e o Independent Film Channel. Menos pela honestidade, e mais pelo senso de ridículo não vou comentar os escolhidos e posições, não tenho tarimba o suficiente para fazê-lo. Quem tem um mínimo de conhecimento de cinema, cita uma dezenas de atores emersos do Saturday Live Night, que os tenham vistos no programa é outra história. Lembro-me de ter lido algo sobre os Kids in the Hall, grupo canadense com várias menções na lista, ainda assim eram só umas linhas sobre filmes estrelados pela trupe. The State? Nunca ouvi falar.
Então eles poderiam atulhar o rol da maneira que melhor os convia, agora o primeiro lugar já tem dono: Monty Python's Flying Circus. A batalha agora é qual dos sketches alcançaram o Graal (perceberam? Graal? Monty Python? como sou engraçado)
O erigido foi O Papagaio Morto:


Sinceramente não se aplica a questão de contestar por injusto o resultado. Só apontar seu favorito. No meu caso é até fácil, sem medo de me render ao clichê, A Piada Mais Engraçada do Mundo:


Há quem resista John Cleese gritando "it's not funny"?
Ainda inspirado na Segunda Guerra Mundial, Sr. Hilter:


Impagável a caracterização de Michael Palin como Sr. Bimmler. É um tapa na cara desses humoristas de meia pataca, principalmente os do meu estado, que acham que basta um homem vestido de mulher para fazer graça
Mesmo um quadro que acho fraco, é acima da média. Quantos programas de humor citam o solene poema And Did Those Feet de William Blake, e continuam engraçados? Soa pomposo? Claro mais esse efeito é desejado e essa é toda diferença:


Sarro com uma instituição inglesa como Agatha Christie


Marcando a cultura pop, SPAM:


Antevendo o futuro, com programas de televisão sem nada de conteúdo recheados de gente louca para aparecer:


Um preferidos dos fãs:


Encerro com o final de A Vida de Brian:

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Diálogos truncados.

No começo era uma bobagem que não valeria o esforço que levo para escrever o mais simples do posts, mas como o assunto rendeu, a situação vale um comentário.
Zeca Camargo até um tempo atrás tinha um dos melhores textos do jornalismo cultural. Hoje, o homem está envelhecendo mal, é duro ter que aguentar afetações como "mas quero só assinalar que é nossa obrigação, como seres pensantes, venerar qualquer coisa que venha do Radiohead - ou um de seus membros". Ele está falando da trilha sonora do filme Sangue Negro assinada pelo guitarrista do grupo, Jonny Greenwood, que registre-se acho genial, agora não embarco nesses chiliques. Contudo até uns dez anos atrás, suas resenhas não apenas eram divertidas quanto atualíssimas. Graças a Camargo é que li pela primeira vez de uma certa banda inglesa que lançava um disco homônimo, um tal de Portishead. Outra comentando sobre o álbum Elegantly Wasted do INXS, disse que mal podia esperar pelos próximos dois CD's do grupo, mas especificamente o 2º, afinal se aquele era uma cópia descarada de The Joshua Tree do U2, era de se esperar que chupariam em seguida o Rattle and Hum e Achtung Baby. Suas coberturas do Free Jazz acredito que do ano de 1997, o que teve Neneh Cherry e Jamiroquai, e de uma revista francesa sobre os 100 melhores singles de todos os tempos, são influências recorrentes no estilo almejado pelo signatário do blog.
Pena que a GLOBO desperdice o talento do sujeito com entrevistas ridiculamente pomposas como a de Sandy e Júnior, discutindo esse grande abalo da música pop que significou o rompimento da dupla (morri de rir com os lentos travellings, e cortes para close-up, num cenário de um palco vazio imenso, na tentativa de dar alguma gravidade solene), ou agora com essa série de matérias sobre o Japão. Se eu tivesse a chance de viajar para um país fascinante como o Japão não titubearia, agora pensar que rende interesse é outra história (numa sondagem com conhecidos a extensa maioria qualifica a reportagem como um porre).
Finda a introdução.
Na semana passada, Zeca Camargo soltou a pérola em seu blog no G1 sobre a mini-série Queridos Amigos: fui só eu que tive a impressão que minha TV aberta tinha, de repente, se transformado numa HBO?
Hehe! E Paulo Coelho também pode, de repente, se transformar em Machado de Assis (que alias também esta hospedado no G1).
Uma afirmação sem-graça, merece um comentário sem graça, cortei e colei o que ele tinha escrito e acrescentei "menos garoto, menos...".
Estranhei que o moderador do blog cortou meu post, que era obviamente gaiato. Não ofensivo. Mas é do jogo, existe o aviso que os comentários são avaliados e podem ser limados, e não recrimino, sendo ele uma persona pública, imagino a quantidade de chateação que tem que aturar. Achei desproporcional, entretanto, estes são meus critérios, poderia questionar os deles se fossem públicos, não os são, então como disse antes, aceito a retirada.
Se parasse aqui, teria apenas uma história para contar a amigos. Só que muita gente implicou com a frase, e como confessa amigos e conhecidos diletos de Zeca Camargo que acabou escrevendo um novo post, na tentativa de explicar o que queria dizer.
Se antes era um acidente de carro, agora temos trens colidindo.
Então o que Queridos Amigos tem em comum com as séries da HBO é que um personagem fala descaradamente mal da TV no programa. Menos que uma revolução isto mostra o atraso da nossa televisão. Um personagem de ficção pode falar mal da TV, ser machista, pedófilo, defender a castração de ciganos e judeus, viciado em substância ilícitas, o escambaú (e antes que alguém levante a lebre, não é que acho reprovável alguém reclamar da TV, apenas quero mostrar que a dramaturgia pode tratar qualquer tema, inclusive os repulsivos). O que não pode é ser mal escrito, coisa que ele admite que está ocorrendo, quando malha os diálogos melosos do programa.
Talvez o espanto venha porque a mesma emissora atualmente vem "recomendando" seus funcionários, inclusive os do jornalismo, a falar recorde, em vez do gramaticalmente correto recorde, apenas pela pusilaminidade de evitar qualquer vinculação com a TV RECORD, que vem crescendo de audiência, ainda que ainda nade de braçada da concorrência, a GLOBO passa por constragimentos como quando é ultrapassada na audiência nas (e só nas) noites de quarta-feira, inclusive quando transmitia um jogo do Corinthians. Não pode-se esquecer que sempre que falam sobre trabalhos pregressos os "colaboradores" (como odeio essa palavra usada neste sentido!) sempre se referem à "outras emissoras", raramente citando-as nominalmente. Já vi casos patéticos em que uma atriz numa entrevista falava de sua estréia era para todos os efeitos foi quando estreou na emissora carioca, desprezando suas atuações no SBT, que tivesse vergonha do desempenho (e bem podia ter mesmo, era um lixo, a atuação, personagem e novela), é outra história, ignorar o passado é vergonhoso.
Uma breve digressão, o que aconteceu com o Vídeo Show, pelo ao menos até a época que Márcio Garcia substituiu Miguel Falabella, era muito bom, e não falava apenas de televisão, cobria cinema, e até quadrinhos, lembro que assistiu uma matéria sobre a produção da obra-prima Marvels de Kurt Busiek e Alex Ross. Hoje não passa de um release vagabundo sobre as atrações da GLOBO (além de uma justificativa para o salário de Angélica e Fernanda Lima), não serve nem como institucional já que duvido que uma empresa queira ter sua imagem vinculada a um banana como André Marques, o eterno Mocotó de Malhação.
Seria ótimo que a TV tratasse além de si mesma, mas a própria mídia em geral, como a concessões para emissoras da parte da GLOBO, por políticos como a família Sarney no Maranhão, e a Magalhães na Bahia, ou num plano maior a aquisição de grupos midiáticos por igrejas como a Católica e seitas como a Universal do Reino de Deus. Incluindo a recente ofensiva de intimidação, através de uma infinidade de ações judiciais, de várias regiões do país, muitas com texto idêntico contra a Folha de São Paulo, e sua jornalista Elvira Lobato,que publicou uma matéria questionando a origem dos fundos da seita e vários membros dela que detêm suas concessões públicas. Só vi o assunto discutido no Observatório da Imprensa na TV Brasil e de madrugada, uma pena.
Voltando agora, ele também fala do uso de linguagem mais forte, inclusive chula. Há muito tempo que não me impressiono com crianças falando coisas como pentelho. Abordagem mais maduras de um programa que nunca passa antes das 23:00, não é um avanço, é uma possibilidade.
Não vou perder meu tempo comparando Queridos Amigos a por exemplo, Família Soprano ou Roma, é matar mosca usando uma bomba atômica, prefiro chamar atenção para o fato que Desperate Housewives que tem várias vezes mais venalidade, diálogos afiados, e personagens intrigantes, nos Estados Unidos passa em canal aberto, em horário nobre, na rede pertencente a um conglomerado que rima com família, a DISNEY.
Poderia argumentar que os Estados Unidos são mais liberais. Falso, alguns americanos são assim, mas a maioria deles é conservadora, ou não teria reeleito George W. Bush. O que explica o sucesso de Desperate Housewives? Ora o programa é excelente. Bastou isso, embora a ABC, emissora também de Lost, também está longe de ser uma HBO.
Num post mais sensato, Daniel Piza, jornalista do Estado de São Paulo discorre sobre como a televisão, infelizmente apenas e tão somente a por assinatura, oferece mais que entretenimento mais grandes opções artísticas.

Parece que o cargo está vago.

Estou me candidatando ao cargo de editor da versão local do GLOBO ESPORTE. Meus requisitos, bom-senso, e reviso qualquer texto que me cai a mão, inclusive aqueles que não escrevi, e de qualquer assunto.
Eu jamais deixaria passar uma bobagem como a que vi hoje. Na chamada a apresentadora, Mariana Sasso disse, "O Ceará confirma sua fama de celeiro de talentos do handbol".
Celeiro de talentos do handbol? O Ceará? Do que ela está falando?
A matéria mostrava duas garotas que estão de mudança para Santa Catarina. Duas garotas mesmo, adolescentes, receberam o convite para jogar por um time de um colégio do sul. Nem ao menos é um time profissional. As duas estão certas, devem ser boas atletas, para a idade, por isso receberam a proposta, e alguma vantagem, ao menos hospedagem, devem ter garantidas. A família ganhou um vídeo profissional para passar nas festas de família. O jornalismo esportivo perdeu espaço para uma matéria relevante. E olha que o futebol cearense tem muita pauta interessante para ser coberta.
Mas estou sendo muito esperançoso, afinal uma crônica esportiva que tem alguém do naipe de um Victor Hannover...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Observações numa quarta-feira de cinzas

Carnaval me faz pensar em Schopenhauer. Isso deve ter soado esnobe. Tenho essa fama, não exatamente imerecida, mas um tanto exagerada. Voltando, carnaval me lembra um aforisma do filósofo alemão que diz, "há no mundo apenas a escolha entre a solidão e a vulgaridade". Este deve ser o sétimo ano em que toda a família viaja no período momino e fico só em casa.
Não tenho problemas em ficar sozinho, genuinamente não gosto de agitação, multidões, considero axé uma música deplorável (prefiro não comentar a dança do créu), e não tenho mais 6 anos para achar graça em marchinhas de carnaval. Preferi nestes períodos ouvir muito Cocteau Twins, Amy Winehouse, Flaming Lips e Feist a todo volume, algumas extravagâncias como acordar ao meio-dia, e uma leitura aprazível, Stalin Desconhecido de Zhores e Roy Medvedev (Ed. Record, R$ 54,90).
Claro que chega momentos que quero ficar à toa, caminho um pouco, dou uma olhada nos cachorros, faço uma boquinha, e vejo televisão. Neste último geralmente para me aborrecer, já que como no Natal as pautas são monotemáticas. Sendo que o Natal tem muito mais facetas a explorar: alegria, penintência, reflexão, tristeza, generosidade, esperança; carnaval não, se martela todo tempo em alegria, festa. Tudo por uma monstrusa preguiça das produções dos programas e jornais. O mesmo lugar-comum que vende a idéia que no final de semana não acontece nada. E tome programas de auditório, e jornais noticiando ursos coalas tomando sorvete para aplacar o calor.
Não sei se só eu penso assim, mas para quê transmitir shows e desfiles de escolas de samba pela TV, quem fica em casa neste período é porque gostaria de ter outra opção, caso contrário estaria na rua brincando. O SBT foi minha salvação nessas noites, resolveu exibir os ótimos Um Sonho de Liberdade na sexta e O Senhor dos Anéis - As Duas Torres no sábado programa bem melhor que ouvir Maurício Kubrusly falando abrobrinhas como: "O carnaval é a prova de que é possível falar sem palavras", ou ainda as dezenas de vezes que Chico Pinheiro e Renata Ceribelli soltaram "Olha aí que bonita a arquibancada", "Essa energia toda", "Olha que bonita a escola", "Olha que imagem bonita", "Olha que luxo essa fantasia", "Olha que alegria", "Olha aí a emoção...", "Olha a beleza desse casal de mestre-sala e porta-bandeira", "O sambódromo é um tapete de alegria".
Coisas assim só valem pelo humor involuntário, mas quem leva o prêmio no festival de bestialidades é Nayara Gusmão, do programa Tarde Livre da TV DIÁRIO. Uma pobre-coitada que tem a elaborada função de ler num notebook as fofocas dos celebrities (uiiiii!), fazendo um abalizado comentário. Falando com a apresentadora do programa, Natália Varela se os ditos famosos aproveitavam o carnaval para comer de tudo. Fiquei imaginando que no resto do ano eles só se alimentam com aquela gosma que o Robocop come.
Depois ela disse: "essas são as operações que as pessoas pedem aos cirugião (sic)".
"O nariz da Catarina."
Conhece alguma Catarina famosa, vai ver não é Catarina e sim Katarina, nada ainda? Mostraram uma foto, mas como seria demais pedir que uma emissora ralé como a TV DIÁRIO tivesse uma banco de imagens decente, a foto era tirada da internet, e tinha uma baixa resolução. Estou chutando que era a Kate Hudson de Quase Famosos, mas não dá para ter certeza.
"As maçãs da atriz americana Kira."
Talvez fosse mas fácil se Nayara Gusmão dissesse os sobrenomes das pessoas. Mostraram uma foto da "atriz americana Kira", só estão corretos que a moça é atriz e que suas maçãs dos rosto são muito bonitas. Keira Knightley nasceu na Inglaterra, e pelo que sei ainda mora lá.
"A boca de Renê Zena."
Renê Zena???? Parece nome de coadjuvante e novela mexicana. Dessa vez ela deu uma dica.
"A atriz de Britney (sic) Jones"
Ahhh, Renée Zellweger, atriz de Bridget Jones.
Para mim já é demais, é melhor voltar para o livro, e ler sobre o assassinato de Bukharin.

Ludopédicas: Menos garoto, menos...

Eric Farias, repórter do Globo Esporte, disse ontem que o jogo da seleção brasileira contra a Irlanda desta quarta-feira "com certeza entra para história do futebol irlandês".
Sim, e por quê?
O jogo é mais desses amistosos caça-níqueis que a CBF tanto gosta, não vale nada. Se tem algum significado para a Irlanda é negativo, a quatro meses o time está sem técnico, sendo improvisadamente dirigido pelo responsável da seleção sub-21, Don Givens.
Talvez, no final das contas este jogo importe mais para o escrete brasileiro, afinal é uma das poucas oportunidades de testar jogadores com idade olímpica. Só que essa teoria não fica de pé sozinha. Alexandre Pato, o principal nome a ser observado, e Kaká, que só por obtusidade será excluído como um dos três convocados com mais de 23 anos, estão contundidos. O próprio Dunga, técnico do Brasil diz que não tem condições de fazer um treino digno antes da partida, e claro, não tem colhões para escalar um time só de garotos para ao menos vê-los como se saem, pois não seguraria o tranco de uma derrota para a temida Irlanda!
Um dos grandes problemas do jornalismo atual é a relação promíscua entre os departamentos comercial e jornalístico. O profissional além de noticiar o evento tem que também promovê-lo, a despeito da real qualidade deste. É mais fácil perceber essa malversação no esporte, mas ela também esta disseminada na área de cultura e economia. Um mesmo grupo edita um jornal, e lança um empreendimento, o primeiro divulga-o relegando critérios de relevância e imparcialidade.
A rede GLOBO, tem a exclusividade dos jogos da seleção, e vive de audiência, daí temos que aguentar Galvão Bueno se esgoelando, tentando vender uma coisa que efetivamente não vemos em campo. Pela sua narração o jogo esta emocionante, e na realidade a partida está numa modorra só.
Lembro de um caso no brasileirão do ano passado (outra posse da GLOBO), numa propaganda do tradicional jogo da quarta-feira à noite, após a novela das nove (uma excrescência, diga-se de passagem), Dirceu Rabelo, locutor oficial da emissora soltou: "São Paulo e Juventade, um jogaço com muita emoção, coisa em disputa". Era a 35ª rodada, na anterior o São Paulo tinha acabado de ser tornar o campeão brasileiro ao vencer de 3X0 o América de Natal; o Juventude ocupava a semi-lanterna da competição, com remotas chances de escapar do rebaixamento, tanto que no final caiu para a segundona. O jogo? Ruim de dar dó, 0X0.

Importante: o signatário do blog não apenas é são-paulino, como é entusiasta do sistema de pontos corridos. Contudo não corrobora engodos como os descritos acima.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Eskindô, Eskindô!

Todos juntos agora, cantando:

Paz, carnaval, futebol
Não mata, não engorda e não faz mal
Carnaval, futebol
Se joga para cima e vira sol

Carnaval, futebol
Não mata, não engorda e não faz mal
Carnaval, futebol
Se joga para cima e vira sol

Vai vai vai fica aqui meu avião
Vem vem vem que o Brasil não tem vulcão
Vai vai vai suba aqui na minha moto
Vem vem vem aqui não tem terremoto

Eu canto,
Paz, carnaval, futebol
Não mata, não engorda e não faz mal
Carnaval, futebol
Se joga para cima e vira sol

Vai vai vai fica aqui meu avião
Vem vem vem que o Brasil não tem vulcão
Vai vai vai suba aqui na minha moto
Vem vem vem aqui não tem terremoto

Temporal de calor,
Tome um sorvete,
O tempo é bom para o amor
No pólo sul tem vento frio
Pra namorar,vem todo mundo atrás do trio

Beija docinho,
Que estou doidinho,
Pra te molhar a boca,
Insolação
Febre e paixão
Dei férias ao meu coração

Eu canto,
Paz, carnaval, futebol
Não mata, não engorda e não faz mal
Carnaval, futebol
Se joga para cima e vira sol

Temporal de calor,
Tome um sorvete,
O tempo é bom para o amor
No pólo sul tem vento frio
Pra namorar,vem todo mundo atrás do trio

Beija docinho,
Que estou doidinho,
Pra te molhar a boca,
Insolação
Febre e paixão
Dei férias ao meu coração

Eu canto,
Paz, carnaval, futebol
Não mata, não engorda e não faz mal
Carnaval, futebol
Se joga para cima e vira sol (2x)

Vai vai vai fica aqui meu avião
Vem vem vem o Brasil não tem vulcão
Vai vai vai suba aqui na minha moto
Vem vem vem aqui não tem terremoto

Vai carnaval!

Vi a pouco, houve um acidente com as arquibancadas da avenida Domingos Olímpio, onde desfilam as escolas de samba e maracatus da minha cidade, Fortaleza. Óbvio, toda a estrutura é improvisada, montada às pressas, usa tábuas de madeira de aparência ruim. É um tragédia, mas anunciada, e dessa vez, com a anuência do Corpo de Bombeiros, que pela primeira vez, vistoriou e aprovou a construção.
Por tudo isso me recuso a chamar o que houve de acidente. O que parece obra do Tinhoso é que momentos antes da arquibancada cair a secretária de cultura de cidade, Fátima Mesquita dava uma entrevista a TV O POVO. O Cramulhão mostrou requintes ainda maiores de malícia pois a secretária respondia uma reclamação dos jornalistas sobre o atraso de duas horas para o início do desfile, defendendo que a desorganização já era uma tradição do Carnaval da cidade e que devemos relaxar e relevar tudo, afinal é uma festa!
Outro canal, a TV DIÁRIO, deu um flash ao vivo do local, mostrou a confusão, desespero das pessoas. No final da inserção soltaram a vinheta colorida com o pandeiro "Carnaaaaaaaval no Nordeste, é na TV DIÁRIO". Voltou para a programação normal, Ênio Carlos, um animador de auditório (talvez o mais detestável tipo na televisão, e esse está entre os piores), entrou sorridente chamando um grupo de pagode.
Essa leniência incrustrada no caráter do brasileiro me intriga. Mais de uma vez conversando com amigos cariocas, eles sempre tentavam contornar a questão da degradação do Rio de Janeiro como os clichês: o Rio é lindo, ou não importa o que aconteça, nada mancha aquele paraíso. Enquanto pensam assim mais e mais a cidade afunda.
Antes que me esqueça, futebol mata sim! Não menciono as torcidas organizadas, pois essas resvalam na criminalidade, não se esperando outra coisa, mas assinatos com aval de clubes, federações, e governo. Foi o caso do estádio da Fonte Nova, na Bahia, terra da banda que canta a musica acima. Morreram sete pessoas com a queda do anel superior do estádio, durante uma partida oficial da 2ª divisão. Nesse mesmo estádio havia um pedido do Ministério Público para interdição devido às suas condições deploráveis , mas foi cassado.
Na 3ª estrofe dessa Insolaração no Coração (nome da canção, cantada pelo Babado Novo), diz que no Brasil não tem vulcão, é verdade, e também não tem paz. Basta ler o relatório anual da Human Rights Watch. É minha dica de leitura deste carnaval.
ESKINDÔ, ESKINDÔ
VAI CARNAVAL!

sábado, 5 de janeiro de 2008

Não vi e não gostei (ainda que seja bom), ou um panegírico da alienação

Galdino, um grande amigo, infelizmente falecido, tinha uma ótima troça sobre 2 Filhos de Francisco, a cine-biografia de Zezé de Camargo e Luciano: "Existem duas coisas decepcionantes em 2 Filhos..., uma é o própria fato do filme existir, a outra é que o filme é realmente bom". Quanto a mim, não assisti quando estava em cartaz nos cinemas. Nem quando lançaram em DVD, embora a pedido de minha mãe, minha irmã tenha alugado o disco. Houve até uma situação pitoresca, num final de semana, tinha pego uma batelada de filmes, incluindo Zaitochi (de Takeshi Kitano), Conflitos Internos (série policial de Honk Kong, donde se baseou Os Infiltrados), e não é que o atendente se enganou e em lugar de Hotel Ruanda pôs 2 Filhos...., quando notei o engano a locadora já estava fechada, na manhã seguinte, logo cedo fui trocar.
Não tenho TV por assinatura, portanto não vi quando exibido no TELECINE. Agora na última terça passou em rede aberta, na hora estava em casa e vendo televisão, mas ainda não foi dessa vez, preferi zapear entre os canais, para no final assistir o episódio de CSI: Miami na RECORD. Passeando entre os canais até cheguei a ver uma cena na GLOBO, Zezé e um irmão estão numa rodoviária, famintos, começam a cantar e ganham uns trocados. Quando começaram com aquelas vozes esgarniçadas "que saudades da minha terra...", troquei de canal imediatamente.
É preconceito de minha parte? Pode ser, sou humano afinal, porém acho essa explicação preguiçosa. Para começar não montei piquetes nas portas dos cinemas para impedir ninguém de ver o filme, limitei-me a fazer piadinhas. Quando alugaram o DVD para minha mãe não dei chiliques, aliás fui eu que programei o aparelho para que ela assistisse e mais tarde, de novo, dessa vez para os extras. Sem problemas admito que a dupla se mostrou ousada em trabalhar o roteiro no pai, e não eles. Profissional em buscar grandes atores como Ângelo Antônio, Dira Paes e José Dumont. Fugiram de produtores picaretas como Diller Trindade, e nem pegaram um diretor do calibre de um Moacyr Góes, procurando o pessoal da CONSPIRAÇÃO FILMES, que entende do riscado (embora milagres eles ainda não fazem, vide que o novo filme da Xuxa foram assinados por eles, e continua o mesmo lixo).
Em termos de público é um sucesso inquestionável, fez 5 milhões de espectadores no cinema, não corri atrás da audiência, mas não tenho porque duvidar que foi muito bem. Quanto a critérios artísticos, não posso falar por mim, mas muita gente que respeito como os críticos da revista SET, e o sisudo Luís Carlos Merten do ESTADO DE SÃO PAULO, deram seu aval.
Agora acho exagerado dizer que é um dos melhores filmes da retomada do cinema brasileiro. Pelo que percebo é só um bom filme, tecnicamente correto e só. E só mesmo, já temos uma produção consistente o suficiente com boa montagem, ediçao de som, figurinos, cenários, atores, etc. Não chega a ser uma indústria, mas o cinema nacional alcançou um nível aceitável.
Ser um filme tecnicamente correto, é justamente o motivo para que Inácio Araújo da FOLHA DE SÃO PAULO, não se comovesse. Argumenta ele que alcançamos um patamar tal, que é necessário aumentar as exigências. É preconceito de Araújo? Mais uma vez, pode ser, apesar da opinião de Jim Carrey, críticos de cinema também são humanos. Mas aí caímos numa barafunda, basta ter opinião divergente, e nem necessariamente antípoda, para logo taxar alguém de preconceituoso. Candidamente, desejo me considerar apenas um alienado, não me interesso por isso e prefiro continuar ignorante. Sou sim cinéfilo, mas é errônea a idéia que assisto qualquer filme. Impagável é a cara de espanto quanto afirmo que não assisti, nem tenho pretensão de ver coisas como Piratas do Caribe, Transformers, ou Motoqueiro Fantasma. Não me daria a esse luxo se lecionasse sobre cinema, fosse jornalista, ou este blog dedicado a análise cinematográfica.
O leitor pode pensar que menosprezo uma obra artística. Rebato eu que cinema, pode sim ser arte, quando excepcionalmente bem feito, aliado a conjunção histórica única. É um senhor exagero pensar que 2 Filhos de Francisco figura ao lado de Poderoso Chefão , Ladrão de Bicicletas, Acossado, Rashomon, Sétimo Selo. Com exceção do primeiro, todos os outros são triunfos que mudaram o mundo. 2 Filhos... foi a maior bilheteria de 2006, isso é muita coisa, mas não é carta de corso para tudo.
Luciano ficou revoltado quando seu filme foi preterido na escolha para melhor filme estrangeiro no Oscar de 2007. Na época declarou: "onde é que Paradise Now é melhor que 2 Filhos de Francisco". Talvez ele seja preconceituoso quanto a filmes estrangeiros, quem sabe o problema seja com os palestinos. Cantores sertanejos também são humanos.


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quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Alan Moore amarelou, e ele não foi o único

Não é trabalho nenhum procurar motivos para gostar de Simpsons, mas o que faz este coração nerd bater mais rápido são as piadas com referências. Num episódio a família vai a um Multiplex com mais de 50 salas, todas com alguma menção a Matrix. Havia cartazes com filmes como “XMatrix” (não é um cruzamento de Matrix com X-Men, mas com o natal em inglês, no pôster Neo estava com o gorro do Papai Noel), outro com “You are in Matrix Charlie Brown”, com Charlie Brown, todo de sobretudo de couro e óculos pretos estilosos.
Teve uma vez que Homer é transferido para Índia, e é apresentado rapidamente panteão hindu. Vendo Ganesh, Kali e Shiva, dispara: “vamos ver, vocês tem o homem-elefante, Johnny Seis-Braços e o Papai Smurf”.
Talvez minha sacação favorita seja quando ocorrem as participações especiais de Thomas Pynchon, escritor de V (até hoje lamento não ter comprado, quando tive a chance), Leilão do lote 49, e um dos mais áridos livros que li na vida O Arco-Íris da Gravidade (eternamente grato à generosidade do meu amigo, Paulo Adriano, por ter me emprestado). Sempre aparece com um saco na cabeça. É uma tirada com a fama de recluso do escritor, tal como J. D. Sallinger, pelo que sei só há duas fotos publicadas do escritor, uma de quando servia na Marinha Americana recém saído da adolescência, e outra, de costas, saindo de um mercadinho. Corre a lenda que ele é, na verdade, a identidade que Jim Morrisson, líder dos The Doors, adotou depois de simular sua morte em Paris.
Estão aí alguns diferenciais do desenho, não só o calibre das participações especiais, duvido que você algum dia encontre o professor Stephen Hawking na A Praça é Nossa, utiliza magistralmente as características e idiossincrasias dos personagens.
Com tudo isso, passei por uma comoção quando soube que Alan Moore, criador de Watchmen, V de Vingança, Miracleman, Monstro do Pântano, e outros clássicos dos quadrinhos, aquiesceu e gravou algumas falas para a nova temporada. E ainda de bônus Art Spielgeman, ganhador do Prêmio Pulitzer por melhor livro de ficção e Daniel Clowes, autor de Ghost World.
Veja aqui a cena toda aqui.
Repare os posteres de Maus de Spielgeman e (surpresa!!) Lost Girls de Alan Moore. Genial e subversivo! Uma obra pesada de reminências do Holocausto Nazista e outra abertamente pornográfica, num desenho que você pode assistir no Brasil ao meio-dia em rede aberta. Claro muitos poucos percebem essas coisas, mais mostra que os roteristas ao menos se dão ao trabalho de contextualizar as situações. Para o grande público fica apenas o rídiculo de um homem de meia idade fã de personagem em quadrinhos e artigos kitisch como o bat-cinto. O leitor de HQ's gargalha ao ver que Daniel Clowes, um dos mais alternativos americanos, sempre quis escrever o Batman. Moore com um grande histórico de rixas com editoras e estúdios de cinema que adaptaram (porcamente) suas obras tem que passar pelo constragimento de encarar que não apenas aquele que talvez seja seu melhor trabalho, aclamado como a obra que elevou os quadrinhos de super-herói a grande literatura, podendo ser lida sem constrangimentos por um público exigente, em uma obra para criancinhas (no que essa palavra tem de mais deletério). Simplesmente antológico. South Park e Family Guy são mais sarcásticos, Simpsons cada vez mais fica clássico.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Confissões de uma mente ociosa

Passei a noite de sábado insone. Lá pelas 4 da manhã tive uma surpresa, a GLOBO passou Futurama. No episódio, Fry é o único ser que pode salvar o universo da destruição total por um bando de cérebros voadores gigantes. E porque ele é tão especial? Por ser tão estúpido, que é ignorado pelos os tais cérebros que só esperam concluir o scanneamento de todas as formas de vida e explodir toda a criação. Perdão, não sabe do que estou falando, Futurama é um desenho animado, onde o tal Fry é um entregador de pizzas que acidentalmente é congelado no ano 2000, e reanimado no século XXI. Infelizmente só duraram quatro temporadas, mesmo tendo um personagem antológico como Bender, um robô sacana, cleptomaníaco, alcoólatra e fumante inveterado. Provavelmente o único ponto baixo, é que seu criador, Matt Groening, tenha feito antes Simpsons. Futurama é apenas um dos desenhos mais engraçados de todos os tempos, já os Simpsons, um marco da cultura pop, e o público é implacável.

Ainda antes, exibiram Uma Família da Pesada, outra excelente animação, na melhor piada, Peter Griffin está em negação, incomodado por seus exames revelaram que está obscenamente gordo. Brian, o cachorro da família (que não só fala, como é o mais sensato da família), joga então uma maçã ao redor de Griffin e ela começa circulá-lo. Brian então explica que ele está tão gordo que tem uma força gravitacional criando órbita em torno dele.

Quando enfim fui dormir deu-me um sentimento de frustração, porque diabos num horário tão ingrato? Ok, desenhos que ridicularizam pessoas com problemas mentais, obesos, homossexuais, com um bebê que planeja assassinar a mãe, não é o tipo de coisa que se esperaria mesmo às 20h00min, mas enquanto depois de Zorra Total? Digo isso porque alguns anos atrás a RECORD passava esses mesmos desenhos juntos no sábado nessa hora.

O que me enerva é que Altas Horas, programa de Serginho Groisman, que não só passa no mesmo dia e antes da séries, tem o mote de: vida inteligente na madrugada. Quando Groisman chegou a GLOBO, a idéia do programa era ser ao vivo com uma espécie de jam session, em que músicos depois de seus shows se reuniriam e bateriam papo, com debates com a platéia. Nada disso aconteceu, na verdade, tal como Jô Soares, o programa piorou em comparação com o que tinha no SBT. O livre acesso ao elenco da GLOBO, prestando-se como alavanca da programação, tornaram as pautas preguiçosas, não apenas óbvias, mas burras até. O quadro de dublagem é uma bobagem, aquele em que os convidados trazem objetos, pode parecer simpático, mas é totalmente descartável. E parece que sempre no final ele traz aquele pobre coitado do cabo-man, que ele não se digna em dizer o nome, só o apelido: seu Madruga. O sujeito surge com uma cara de choro, diz mensagens que até mesmo Paulo Coelho se envergonharia. Das duas, uma; ou o cara esta fingindo, e devia parar com isso, ou realmente ele desaba e chora compulsivamente sempre que é chamado. Aí mesmo que deviam parar com isso porque ele precisa de tratamento psiquiátrico. Fundo do poço foi quando começou a fazer pegadinhas como a da Leilah Moreno, vocalista da banda do programa, dizendo que a demitiria, ou quando pediu aulas de surf a Cauã Reymond, e as insuportáveis “não é foto, é vídeo”. Falta pouco e teremos um novo quadro “O táxi do Serginho”.

Surpreendente é Groisman ridicularizar o público jovem, logo esse que dizem que tem grande empatia. Vejamos o quadro Púlpito, o sujeito vai lá esbraveja qualquer coisa por 15 segundos, dá um soco, e aí... Aí nada, o cara termina, e volta para seu canto. Quando é escolhido alguém para conversar, começa bizantinas discursões sobre: o que é uma tatuagem tribal? Há quanto tempo você consegue mastigar esse chiclete? Anteriormente infiltraram um ator na platéia (formado por uma organização não-governamental, fato irrelevante mas sempre mencionado), que deveria fazer perguntas “inconvenientes” aos convidados. Para Wanessa Camargo perguntou sobre se ela só fazia sucesso por causa do pai e tio famosos. Na vez que tocava a banda Capital Inicial acompanhada de Dado Villa Lobos, cantou debochado Será, da Legião Urbana, dizendo que a letra é banal, pedindo que tocasse outra “melhorzinha”. Wanessa ficou encabulada, Dado exaltado, falava para o cidadão ir embora se não gostava da música. Dinho Ouro Preto começou o discurso que você pode não gostar do som, e tudo bem, mas tem que respeitar os que gostam, e blábláblá...

Vamos lá: será que estou sendo maldoso ou Wanessa Camargo, é realmente essa cantora consagrada, sem nada mais a provar, campeã de vendagens e execuções no rádio? Dinho Ouro Preto saiu-se com o discurso de roqueiro bunda que é, não defendendo uma atitude punk de faca na bota e partir para a porrada, também seria demais esperar uma resposta frankzappiana, mas Ouro-Preto podia ter um pouco mais de colhões. Já para Dado, faltou bom-humor, podia cantar então Monte Castelo, que tem além de Renato Russo como “co-autores”, São Paulo apóstolo e Luiz Vaz de Camões. Se essa trinca não sabe escrever, então não sei mais nada. O que evidencio é que podem ser incômodas, mas não tem porque não ser feitas. Insisto que o convidado só tem que defender seu ponto de vista, sem estrilar. Esse engodo, na verdade marginaliza que tem uma postura contestadora. Seria ótimo que logo em seguida alguém engatasse a mesma pergunta e insistisse que era a sério. Pena, o jeito é se conformar com perguntas do calibre de: o que você mais gosta de fazer TV, cinema ou teatro? Qual sua música favorita? Quando vai posar nua?

O mais louco é que tem muita coisa boa na madrugada. O SBT já passou Shortcurts, de Robert Altman, Laranja Mecânica e O Iluminado de Stanley Kubrick, O Informante de Michael Mann. A GLOBO além dos supracitados Futurama e Uma Família da Pesada, tem a Sessão de Gala com Kagemusha, à sombra de um guerreiro de Akira Kurosawa, Coisas Belas e Sujas de Stephen Frears, Eleição de Alexander Payne, As Virgens Suicidas de Sofia Coppola, e por aí vai.

O que me deprime é: porque na madrugada, porque não no horário nobre, ou melhor em qualquer horário. Será que é isso mesmo? A audiência é tão estúpida que não entenderia um programa como O Sistema? Ou Sílvio Santos está certo em substituir na madrugada séries como West Wing, Nip/Tuck, Médium, Sobrenatural, para no horário transmitir Fantasia?