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sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Parece que o cargo está vago.

Estou me candidatando ao cargo de editor da versão local do GLOBO ESPORTE. Meus requisitos, bom-senso, e reviso qualquer texto que me cai a mão, inclusive aqueles que não escrevi, e de qualquer assunto.
Eu jamais deixaria passar uma bobagem como a que vi hoje. Na chamada a apresentadora, Mariana Sasso disse, "O Ceará confirma sua fama de celeiro de talentos do handbol".
Celeiro de talentos do handbol? O Ceará? Do que ela está falando?
A matéria mostrava duas garotas que estão de mudança para Santa Catarina. Duas garotas mesmo, adolescentes, receberam o convite para jogar por um time de um colégio do sul. Nem ao menos é um time profissional. As duas estão certas, devem ser boas atletas, para a idade, por isso receberam a proposta, e alguma vantagem, ao menos hospedagem, devem ter garantidas. A família ganhou um vídeo profissional para passar nas festas de família. O jornalismo esportivo perdeu espaço para uma matéria relevante. E olha que o futebol cearense tem muita pauta interessante para ser coberta.
Mas estou sendo muito esperançoso, afinal uma crônica esportiva que tem alguém do naipe de um Victor Hannover...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Ludopédicas: Menos garoto, menos...

Eric Farias, repórter do Globo Esporte, disse ontem que o jogo da seleção brasileira contra a Irlanda desta quarta-feira "com certeza entra para história do futebol irlandês".
Sim, e por quê?
O jogo é mais desses amistosos caça-níqueis que a CBF tanto gosta, não vale nada. Se tem algum significado para a Irlanda é negativo, a quatro meses o time está sem técnico, sendo improvisadamente dirigido pelo responsável da seleção sub-21, Don Givens.
Talvez, no final das contas este jogo importe mais para o escrete brasileiro, afinal é uma das poucas oportunidades de testar jogadores com idade olímpica. Só que essa teoria não fica de pé sozinha. Alexandre Pato, o principal nome a ser observado, e Kaká, que só por obtusidade será excluído como um dos três convocados com mais de 23 anos, estão contundidos. O próprio Dunga, técnico do Brasil diz que não tem condições de fazer um treino digno antes da partida, e claro, não tem colhões para escalar um time só de garotos para ao menos vê-los como se saem, pois não seguraria o tranco de uma derrota para a temida Irlanda!
Um dos grandes problemas do jornalismo atual é a relação promíscua entre os departamentos comercial e jornalístico. O profissional além de noticiar o evento tem que também promovê-lo, a despeito da real qualidade deste. É mais fácil perceber essa malversação no esporte, mas ela também esta disseminada na área de cultura e economia. Um mesmo grupo edita um jornal, e lança um empreendimento, o primeiro divulga-o relegando critérios de relevância e imparcialidade.
A rede GLOBO, tem a exclusividade dos jogos da seleção, e vive de audiência, daí temos que aguentar Galvão Bueno se esgoelando, tentando vender uma coisa que efetivamente não vemos em campo. Pela sua narração o jogo esta emocionante, e na realidade a partida está numa modorra só.
Lembro de um caso no brasileirão do ano passado (outra posse da GLOBO), numa propaganda do tradicional jogo da quarta-feira à noite, após a novela das nove (uma excrescência, diga-se de passagem), Dirceu Rabelo, locutor oficial da emissora soltou: "São Paulo e Juventade, um jogaço com muita emoção, coisa em disputa". Era a 35ª rodada, na anterior o São Paulo tinha acabado de ser tornar o campeão brasileiro ao vencer de 3X0 o América de Natal; o Juventude ocupava a semi-lanterna da competição, com remotas chances de escapar do rebaixamento, tanto que no final caiu para a segundona. O jogo? Ruim de dar dó, 0X0.

Importante: o signatário do blog não apenas é são-paulino, como é entusiasta do sistema de pontos corridos. Contudo não corrobora engodos como os descritos acima.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Ludopédicas

No último domingo houve o grande clássico do campeonato de futebol do meu estado Fortaleza x Ceará. Quem ganhou, quem foi o herói, o vilão, o juiz foi tendencioso ou equilibrado, errando de forma crassa para os dois lados? Nada disso importa. Fica menor quando se ouve histórias como a de um casal que ia numa moto para o jogo, atacado à pedradas, por vestir a camisa de um dos times. Não acaba aí, a mulher, estava armada e revidou atirando em seus agressores. Diz o gracejo que mulheres nunca entenderam a lei do impedimento, parecem que pragmáticas, tentam primeiro chegar vivas ao jogo.
O clima de animosidade é perene. Desde da compra do ingresso (caro), em poucas e desorganizadas bilheterias, ou sendo acossado pelos cambistas. Antes de entrar no estádio, a polícia faz revista nos indivíduos atrás de armas, rojões e bebidas alcoólicas. Em outros eventos, também há uma rotina de segurança, mas não tão minuciosa. Passando por isso, não se tem conforto, área para lanches, banheiro limpos. Não se pode nem tentar apenas ver a partida, a qualquer momento uma das facções da organizada entra em atrito com a rival, mesmo a do mesmo time, e a polícia tenta conter os focos de briga mais atrapalhadamente, só faz aumentá-la.
Fim do jogo não traz alívio, começa uma batalha para tentar voltar para casa, entre os piquetes da tropa de choque e torcedores. Se você foi de carro, é bem possível que acabe depredado, se foi de ônibus, o martírio é maior, a muito tempo que os empresários das empresas decidiram não oferecer carros extras, e só a canalha inconseqüente e/ou vendida da crônica esportiva, tem a pusilâminidade de falar contra.
Estranho que as equipes se apresentaram com os uniformes baseados nos clubes que lhe deram origem. O Fortaleza, antes era o Stella, já o Ceará, Rio Branco, ambos fundados e extintos na década de 1910, por uma dessas curiosidades do esporte, nunca se enfrentaram nessas designações primevas. Não soube de nenhuma dessas efemeridades que mereceriam homenagens, mas valeu pela idéia simpática.
Agora, teve um gosto amargo pelas camisas continuaram a expor o nome dos patrocionadores. Seria um gesto elegante pelo menos a foto oficial do jogo fosse com uma versão alternativa com a recriação dos uniformes "limpos". Particularmente achei estranha a camisa do Rio Branco em branco e lilás (lembra um pouco a camisa da Fiorentina, na Itália) com a logomarca RABELO estampada. A do Stella, ficou visualmente mais agradável, a patrocionadora SANTANA TÊXTIL, adaptou-se pra que não entrassem em choque com a camisa, usando o vermelho, uma das cores do brasão. Agora nada conseguiria salvar o desastre que é ter escrito Kanja, num uniforme, a menos que trabalhe num restaurante.
Seria exagerado esperar dos patrocinadores abrissem mão da exposição durante jogo, afinal hoje o futebol é negócio. Não acho que seja algo irreversível, mas hoje, é mais que necessário perceber que como esse esporte gera muita renda, que os jogadores, clubes, e sim, os dirigentes, desde que mais que honestos, também profissionais, tenham acesso a parte do lucro.
Só desejaria que existisse mais bom-senso. Nenhum clube brasileiro faz escolhas tão erradas como o Corinthians, pulo a associação com a MSI pela redundância, mas basta lembrar a horrenda camisa da época da Tintas Suvinil. Ou ainda com o patrocínio com a Batavo, com a Embratel para estampar DDD. Agora as coisas melhoraram um pouco, a Medial Saúde aceitou trocar a cor oficial da marca, pelo preto (patético a histeria dos cartolas do Timão, dizendo que "esse cor", era "daquele time", bastava dizer serenamente, verde e Palmeiras, respectivamente, explicando que não casava com a tradição do clube)
Há casos que o patrocínio praticamente se integrou a camisa. Tenho dificuldade em imaginar o Flamengo sem a Petrobrás. Não tenho tanto entusiasmo, mas gosto da versão do "smiley", que a LG usa como marca no São Paulo, porém, o Habib's com seu amarelo-ovo e gênio sorridente são deslocados.
Tem coisas engraçadas como Eurico Viana se indispôndo com Deus e o mundo, e durante um longo período o Vasco tinha a mais linda camisa do Brasil, só o branco com a faixa negra e a Cruz de Malta. Pena, para no final o clube aceitar dinheiro do BMG, banco envolvido em falcatruas como o mensalão.
Mas o caso mais deplorável é o de clubes tradicionais como o Milan e o Real Madri que estampam um site de apostas, o Bwin. Como encarar esses times, e seus jogadores e não tem um ponta de desconfiança sobre se são ou não perniciosos.
Agora uma atitude antipoda não me parece louvável, caso do Barcelona que faz propaganda do UNICEF. Pelo direito de promover a Fundo das Nações Unidas para a Infância, o clube catalão não paga nada. Que feio, se promovendo às custas das criancinhas!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Essa ele só perderia para ele mesmo, e bem que ele tentou

Sabe aquela história que até um idiota poderia ser bem sucedido comandando a Seleção Brasileira. Pois é, como se não tivesse nada mais importante que fazer (como impedir jogos ao meio-dia, o que acontecerá no campeonato paulista neste ano, para atender os interesses da televisão, oferecer condições decentes para os campeonatos nacionais da segunda e terceira divisões, por exemplo), a Confederação Brasileira de Futebol, CBF, tal como os Mythbusters do canal DISCOVERY, resolveu tirar a limpo essa lenda urbana. Admita-se, empenharam bem para achar esse idiota. Agora que o experimento se mostrou bem sucedido, é torcer para que mandem ele pastar e chamem alguém decente.
Isso mesmo, ontem Dunga foi eleito o melhor técnico de 2007. A escolha foi realizada pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS), ligada a FIFA. Para diminuir sensivelmente o constrangimento, explica-se que na votação, comandada pela IFFHS, só participaram técnicos das seleções. Como epítome de sua condição de Joselito declarou, "só o fato de ter sido relacionado já demonstra o respeito que existe pelo meu trabalho. Ser escolhido o melhor, então, me motiva ainda mais na seleção".
Num breve retrospecto, cabe lembrar que até o convite de Ricardo Teixeira, Dunga nunca dirigiu um time, ganhava a vida comentando futebol para a BAND e como palestrante em convenções de empresa. Já naquela época imaginava o martírio que deviam ser suas apresentações motivacionais, dado como penava para dar uma simples opinião nas mesas redondas capitaneadas por Luciano do Valle.
Não tenho palavra melhor para sintetizar o trabalho de Dunga que não seja constrangimento, próprio ou impingido a outros ao seu redor. Como explicar embaraço que expõe seus atletas, como na Copa América ano passado, tornando público as cartas de dispensa de Kaká e Ronaldinho Gaúcho. O aperto em armar o time de maneira covarde, lotando o meio campo para parar as jogadas. Nas entrevistas coletivas, compra brigas com os jornalistas e no jogo das eliminatórias no Maracanã, atacou a torcida.
Constrangimento, sim, toda a prepotência murcha quando voltado contra quem realmente mais que atrapalha, mas mancha o futebol brasileiro, o senhor Ricardo Teixeira, presidente da CBF. Não é a toa que Juca Kfouri, um dos poucos jornalistas no país que honram sua profissão o chama de "a voz do dono". Vítor Birner, seu pupilo, tem uma alcunha ainda mais feliz: trainee, um cargo acima do estagiário, um abaixo do profissional.
Nesse ano de Olimpíadas, torço sinceramente para que a seleção não chegue a medalha de ouro. É constragedor ver esse modelo progredindo.


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Now playing: The Chemical Brothers - Out of Control
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