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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Ludopédicas: Menos garoto, menos...

Eric Farias, repórter do Globo Esporte, disse ontem que o jogo da seleção brasileira contra a Irlanda desta quarta-feira "com certeza entra para história do futebol irlandês".
Sim, e por quê?
O jogo é mais desses amistosos caça-níqueis que a CBF tanto gosta, não vale nada. Se tem algum significado para a Irlanda é negativo, a quatro meses o time está sem técnico, sendo improvisadamente dirigido pelo responsável da seleção sub-21, Don Givens.
Talvez, no final das contas este jogo importe mais para o escrete brasileiro, afinal é uma das poucas oportunidades de testar jogadores com idade olímpica. Só que essa teoria não fica de pé sozinha. Alexandre Pato, o principal nome a ser observado, e Kaká, que só por obtusidade será excluído como um dos três convocados com mais de 23 anos, estão contundidos. O próprio Dunga, técnico do Brasil diz que não tem condições de fazer um treino digno antes da partida, e claro, não tem colhões para escalar um time só de garotos para ao menos vê-los como se saem, pois não seguraria o tranco de uma derrota para a temida Irlanda!
Um dos grandes problemas do jornalismo atual é a relação promíscua entre os departamentos comercial e jornalístico. O profissional além de noticiar o evento tem que também promovê-lo, a despeito da real qualidade deste. É mais fácil perceber essa malversação no esporte, mas ela também esta disseminada na área de cultura e economia. Um mesmo grupo edita um jornal, e lança um empreendimento, o primeiro divulga-o relegando critérios de relevância e imparcialidade.
A rede GLOBO, tem a exclusividade dos jogos da seleção, e vive de audiência, daí temos que aguentar Galvão Bueno se esgoelando, tentando vender uma coisa que efetivamente não vemos em campo. Pela sua narração o jogo esta emocionante, e na realidade a partida está numa modorra só.
Lembro de um caso no brasileirão do ano passado (outra posse da GLOBO), numa propaganda do tradicional jogo da quarta-feira à noite, após a novela das nove (uma excrescência, diga-se de passagem), Dirceu Rabelo, locutor oficial da emissora soltou: "São Paulo e Juventade, um jogaço com muita emoção, coisa em disputa". Era a 35ª rodada, na anterior o São Paulo tinha acabado de ser tornar o campeão brasileiro ao vencer de 3X0 o América de Natal; o Juventude ocupava a semi-lanterna da competição, com remotas chances de escapar do rebaixamento, tanto que no final caiu para a segundona. O jogo? Ruim de dar dó, 0X0.

Importante: o signatário do blog não apenas é são-paulino, como é entusiasta do sistema de pontos corridos. Contudo não corrobora engodos como os descritos acima.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Pague para não ver

Caro leitor, contenha o esgar ao terminar de ler a frase seguinte. Destacado para cobrir as filmagens do mais recente filme de Xuxa, pela revista SET, em determinado momento o repórter a define como perfeccionista.
Se for verdade a existência dela deve ser miserável. Pense comigo, ainda se pudesse dizer que seu trabalho é espectacular, ainda assim viveria angustiada. como é um lixo, nem deve se olhar no espelho.
Agora sem graça é lembrar que na sua busca de seu pináculo artístico, a auto-intitulada rainha do baixinhos faça com o nosso dinheiro, dinheiro público advindo da dedução de impostos da Lei Rouanet de incentivo à cultura. Não esqueça que isso só é possível com a anuência da Agência Nacional de Cinema, ANCINE. Recupere o fôlego, um funcionário do Ministério da Cultura, MinC, asseverou a relevância e representatividade brasileiras na película.
Foi assim com esse filme e praticamente todos os outros lançados no país. É verdade que fora do cinema americano, todos os Estados patrocinam seu respectivo cinema nacional. O que tal como a jabuticaba, só existe aqui é o filme que ainda que ninguém veja já esta pago, e não por seus produtores. O caso mais acintoso é o de Guilherme Fontes com seu Chatô - o rei do Brasil, começaram a rodar em 1997, torrou mas de 14 milhões de reais e o filme não está pronto! Fontes ainda tem a petulância de pleitear mais dinheiro para rodar mais cenas e montagem.
Cinema é um troço caro, deve ser feito para dar retorno, que fique claro, retorno financeiro, e por um conjunção especial dos astros, e vá lá, com algum talento dos envolvidos pode ser arte. O primeiro elemento dessa fórmula é fixo (cinema é caro, mesmo que se filme com camêras digitais, algum momento haverá transferência para película, e o custo pesado é na divulgação), os outros se balanceia.
Outro elemento a ser considerado é que filmes dão prejuízo, todos, mesmo sucessos como Tropa de Elite, A Grande Família, Cidade de Deus, não empatam os custos. Aí que aumenta a responsabilidade daquele burocrata do MinC que falei anteriormente. E a consumidor também. Tenho uma teoria sobre como Xuxa atrai público. Os pais vêem no jornal que o filme é censura livre e arrasta as crianças. Nunca me esqueço de uma amiga minha falando que estava com a filha de 6 anos, e decidiram ver um filme. Temporada de férias, ela, a mãe escolheu Xuxa Popstar, meia-hora de filme, a menina perguntou se faltava muito para o fim. É simbolico que chegou a hora que nem a GLOBO tenha paciência para meia-hora de Xuxa, nesse ano ela perdeu seu programa. Dava prejuízo, e como era dinheiro privado que dessa vez quem pagava as contas...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Essa ele só perderia para ele mesmo, e bem que ele tentou

Sabe aquela história que até um idiota poderia ser bem sucedido comandando a Seleção Brasileira. Pois é, como se não tivesse nada mais importante que fazer (como impedir jogos ao meio-dia, o que acontecerá no campeonato paulista neste ano, para atender os interesses da televisão, oferecer condições decentes para os campeonatos nacionais da segunda e terceira divisões, por exemplo), a Confederação Brasileira de Futebol, CBF, tal como os Mythbusters do canal DISCOVERY, resolveu tirar a limpo essa lenda urbana. Admita-se, empenharam bem para achar esse idiota. Agora que o experimento se mostrou bem sucedido, é torcer para que mandem ele pastar e chamem alguém decente.
Isso mesmo, ontem Dunga foi eleito o melhor técnico de 2007. A escolha foi realizada pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS), ligada a FIFA. Para diminuir sensivelmente o constrangimento, explica-se que na votação, comandada pela IFFHS, só participaram técnicos das seleções. Como epítome de sua condição de Joselito declarou, "só o fato de ter sido relacionado já demonstra o respeito que existe pelo meu trabalho. Ser escolhido o melhor, então, me motiva ainda mais na seleção".
Num breve retrospecto, cabe lembrar que até o convite de Ricardo Teixeira, Dunga nunca dirigiu um time, ganhava a vida comentando futebol para a BAND e como palestrante em convenções de empresa. Já naquela época imaginava o martírio que deviam ser suas apresentações motivacionais, dado como penava para dar uma simples opinião nas mesas redondas capitaneadas por Luciano do Valle.
Não tenho palavra melhor para sintetizar o trabalho de Dunga que não seja constrangimento, próprio ou impingido a outros ao seu redor. Como explicar embaraço que expõe seus atletas, como na Copa América ano passado, tornando público as cartas de dispensa de Kaká e Ronaldinho Gaúcho. O aperto em armar o time de maneira covarde, lotando o meio campo para parar as jogadas. Nas entrevistas coletivas, compra brigas com os jornalistas e no jogo das eliminatórias no Maracanã, atacou a torcida.
Constrangimento, sim, toda a prepotência murcha quando voltado contra quem realmente mais que atrapalha, mas mancha o futebol brasileiro, o senhor Ricardo Teixeira, presidente da CBF. Não é a toa que Juca Kfouri, um dos poucos jornalistas no país que honram sua profissão o chama de "a voz do dono". Vítor Birner, seu pupilo, tem uma alcunha ainda mais feliz: trainee, um cargo acima do estagiário, um abaixo do profissional.
Nesse ano de Olimpíadas, torço sinceramente para que a seleção não chegue a medalha de ouro. É constragedor ver esse modelo progredindo.


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Now playing: The Chemical Brothers - Out of Control
via FoxyTunes