O oráculo gosta de pregar peças.
Na escolha aleatória do tocador de mídia do computador, juntou I've Fallen In Love With You, de Joss Stone para em seguida aparecer Suor Times, do Portishead, sem motivo começo a rir.
domingo, 22 de junho de 2008
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Vida inteligente na madrugada, sério!!
Qual meu filme favorito? Para mim esta pergunta tem um significado bem específico, não é o melhor que assisti (até a data? Laranja Mecânica), também não é a raridade cult que praticamente ninguém mais viu (A Estrada Perdida), ou ainda o título odiado pela crítica (A Praia), nem a bobagem trash que desperta um estranho orgulho em defendê-la (Re-Animator), Para mim é aquele que estabeleceu não apenas uma singularidade quase instantânea comigo, mas que ao longo dos anos esta conexão só fez aumentar. Assim não tenho só um filme favorito, são três.
É verdade que assiste-os nos meus "anos de formação", dos 13 aos 17, só que não me rendo ao clichê. Acho desolador pessoas que não mais consigam se sensibilizar, ou que se tornam reféns dos gostos e códigos de uma época supostamente idílica. Espero ter deixado claro acima que minhas escolhas não são preponderamente cerebrais, também o são, mas há o elemento visceral. E com alegria que digo ser razoável que mais quatro filmes ascenderam ao panteão, e todos foram lançados depois de extraídos meus dentes do siso. Na ordem: Amnésia (Memento), Os Incríveis, Sunshine - Alerta Solar e Ratatouille. Só que isto é conversa daqui para dez anos.
A presente tríade sagrada, é harmônicamente dividida em: aquilo que eu sou, aquilo que amo, minha visão de mundo. Este post é dedicado ao último, se o tema surgir falo dos outros dois (uma dica: o primeiro é polônes, e o segundo, inglês).
Nesta sexta-feira no CORUJÃO da REDE GLOBO exibirá MASH de Robert Altman. Duvido que comece antes das três da madrugada... Pena, é uma das melhores comédias do cinema, deve existir uma regra tácita na televisão aberta que bane qualquer coisa remotamente inteligente a clandestinidade.
O título é um acrónimo em inglês de Hospital Cirúgico-Médico Móvel do Exército, e ação se passa na Guerra da Coréia. À primeira vista, parece de mal-gosto uma comédia sardônica numa guerra, ainda mais num acampamento médico. Só que o comportamento hedonista dos integrantes, acaba sendo um dos mais poderosos líbelos pacifistas já feitos. Produzido no mesmo período da Guerra do Vietnam, produzia um ligação, consciente, que demonstrava que ao contrário da Segunda Guerra Mundial, que combateu um sistema facínora, as duas eram batalhas sem lógica, pelo que afinal os EUA se meteram nessas duas enrascadas?
Aqui se burila o que no futuro seria a marca de Robert Altman, o estilo multifacetado com várias histórias e personagens que se entrecruzam, consagrado em Nashville, e elevado ao estágio sublime em Short Cuts - Cenas da Vida.
Por isso o filme é uma impagável sucessão de micagens e pegadinhas. As melhores são dirigidas contra o major certinho interpretado por Robert Duvall e a enfermeira-chefe, que depois de juntos serem desmascarados, passa a ser chamada de Hot Lips (lábios quentes).
Outra é quando o dentista residente, que por ser extremamente bem dotado, hããã e não me refiro aos seus méritos intelectuais, ganha o apelido de Painless (sem-dor), se descobre impotente e decide que a vida não tem mais sentido decidindo suicidar-se. Seus companheiros ao saber disso, em vez de solidarizar-se com o homem do jeito contrito, fazem uma festa de despedida de aromba. O ponto alto é quando apresentam uma música especialmente composta para a ocasião: Suicide Is Painless.
Não se deixe enganar, é uma das películas das mais argutas. Possivelmente este seja o motivo para que Robert Altman, o diretor, desprezasse a série de TV baseada no filme, o conteúdo político foi esvaziado em detrimento da comédia (o clip no alto é uma montagem com cenas do seriado). Para o imenso desgosto de Altman, houve 11 temporadas na televisão. M*A*S*H*, a série é uma espécie de Roque Santeiro americano, seu último episódio foi a maior audiência da história da televisão de lá. Salvo engano, o recorde se mantém até hoje.
MASH no Corujão de hoje, isso sim é que é vida inteligente na madrugada!
Atualizado:
É verdade que assiste-os nos meus "anos de formação", dos 13 aos 17, só que não me rendo ao clichê. Acho desolador pessoas que não mais consigam se sensibilizar, ou que se tornam reféns dos gostos e códigos de uma época supostamente idílica. Espero ter deixado claro acima que minhas escolhas não são preponderamente cerebrais, também o são, mas há o elemento visceral. E com alegria que digo ser razoável que mais quatro filmes ascenderam ao panteão, e todos foram lançados depois de extraídos meus dentes do siso. Na ordem: Amnésia (Memento), Os Incríveis, Sunshine - Alerta Solar e Ratatouille. Só que isto é conversa daqui para dez anos.
A presente tríade sagrada, é harmônicamente dividida em: aquilo que eu sou, aquilo que amo, minha visão de mundo. Este post é dedicado ao último, se o tema surgir falo dos outros dois (uma dica: o primeiro é polônes, e o segundo, inglês).
Nesta sexta-feira no CORUJÃO da REDE GLOBO exibirá MASH de Robert Altman. Duvido que comece antes das três da madrugada... Pena, é uma das melhores comédias do cinema, deve existir uma regra tácita na televisão aberta que bane qualquer coisa remotamente inteligente a clandestinidade.
O título é um acrónimo em inglês de Hospital Cirúgico-Médico Móvel do Exército, e ação se passa na Guerra da Coréia. À primeira vista, parece de mal-gosto uma comédia sardônica numa guerra, ainda mais num acampamento médico. Só que o comportamento hedonista dos integrantes, acaba sendo um dos mais poderosos líbelos pacifistas já feitos. Produzido no mesmo período da Guerra do Vietnam, produzia um ligação, consciente, que demonstrava que ao contrário da Segunda Guerra Mundial, que combateu um sistema facínora, as duas eram batalhas sem lógica, pelo que afinal os EUA se meteram nessas duas enrascadas?
Aqui se burila o que no futuro seria a marca de Robert Altman, o estilo multifacetado com várias histórias e personagens que se entrecruzam, consagrado em Nashville, e elevado ao estágio sublime em Short Cuts - Cenas da Vida.
Por isso o filme é uma impagável sucessão de micagens e pegadinhas. As melhores são dirigidas contra o major certinho interpretado por Robert Duvall e a enfermeira-chefe, que depois de juntos serem desmascarados, passa a ser chamada de Hot Lips (lábios quentes).
Outra é quando o dentista residente, que por ser extremamente bem dotado, hããã e não me refiro aos seus méritos intelectuais, ganha o apelido de Painless (sem-dor), se descobre impotente e decide que a vida não tem mais sentido decidindo suicidar-se. Seus companheiros ao saber disso, em vez de solidarizar-se com o homem do jeito contrito, fazem uma festa de despedida de aromba. O ponto alto é quando apresentam uma música especialmente composta para a ocasião: Suicide Is Painless.
Não se deixe enganar, é uma das películas das mais argutas. Possivelmente este seja o motivo para que Robert Altman, o diretor, desprezasse a série de TV baseada no filme, o conteúdo político foi esvaziado em detrimento da comédia (o clip no alto é uma montagem com cenas do seriado). Para o imenso desgosto de Altman, houve 11 temporadas na televisão. M*A*S*H*, a série é uma espécie de Roque Santeiro americano, seu último episódio foi a maior audiência da história da televisão de lá. Salvo engano, o recorde se mantém até hoje.
MASH no Corujão de hoje, isso sim é que é vida inteligente na madrugada!
Atualizado:
- A GLOBO não facilita em nada. Jô Soares voltou das férias ainda mais preguiçoso, e com convidados soporíferos, para completar na seqüência, no INTERCINE estava programado a bomba Halloween - Ressurreição. Tirei uma soneca esperando o CORUJÃO. Lamentavelmente quando acordei já tinha corrido uma hora de MASH. Ainda sim valeu a pena, continua irretocável, e com o tempo só melhora.
- Vai entender. A mesma classificação indicativa do Ministério da Justiça que tasca um selo vermelho (restrito para maiores de 16 anos) para HOUSE, o que o impede de ser exibido antes da 23 horas, por linguagem forte, insinuação sexual, morte e drogas; deu um verde (livre para qualquer público) para MASH. Taí mais um exemplo de que a censura é essencialmente tacanha, e de que o humor é a arma de inteligência suprema, subversivelmente enganando o sistema.
- Deu um pouco de trabalho, mas achei a cena no YouTube onde tocam Suicide Is Painless, repare que no comecinho eles reproduzem as mesmas marcações d'A Última Ceia" de Leonardo DaVinci.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Meu cachorro não tem nariz
Como muitos da minha geração, e falo de pessoas com seus 30 anos (e sem papai rico para conhecer em primeira mão numa viagem de férias pela Europa), conheci o Monty Python na Sessão Comédia que a REDE GLOBO apresentava na madrugadas de segunda-feira. A exibição era tão madrugada adentro, que mesmo empolgado vendo A Vida de Brian (e importante dizer que só mais tarde é que entendi a relevância dos Pythons para a comédia moderna, mesmo sem nenhum contexto os ingleses já à primeira vista mesmerizam), não resisti e fui dormir na primeira metade do filme. Só recentemente assisti na íntegra na Edição Imaculada, que é como é chamado o DVD duplo.
A Sessão Comédia também consagrou um dos grandes engodos na dublagem brasileira no Em Busca do Cálice Sagrado. São antológicas as aparições dos temíveis Cavaleiros que Dizem Ni. Aprisionados por eles, o Rei Arthur e Sir Bedevere devem trazer um "shrubberie" ao covil deles. No desespero, os dois torturaram uma velha dum vilarejo até que por acaso, aparece um shrubberneiro, que oferece seus serviços e salva o dia. Ingenuamente, não só eu, mais todos meus amigos lembrando do trecho, pensavamos que o mote era que "shrubberie" era uma palavra inventada, daí o terror dos personagens. E não é que dois anos atrás vendo o DVD, com som original e legendas, finalmente descubro que "shrubberie" significa "canteiro de jardim". Meio atônito, até usei o zoom no controle remoto para ver o cercadinho no canto da tela. A vida real é que é a verdadeira piada.
Pensei neste post sobre o Monty Python quando li sobre os 50 melhores sketches cômicos de todos os tempos, eleitos pelo site NERVE e o Independent Film Channel. Menos pela honestidade, e mais pelo senso de ridículo não vou comentar os escolhidos e posições, não tenho tarimba o suficiente para fazê-lo. Quem tem um mínimo de conhecimento de cinema, cita uma dezenas de atores emersos do Saturday Live Night, que os tenham vistos no programa é outra história. Lembro-me de ter lido algo sobre os Kids in the Hall, grupo canadense com várias menções na lista, ainda assim eram só umas linhas sobre filmes estrelados pela trupe. The State? Nunca ouvi falar.
Então eles poderiam atulhar o rol da maneira que melhor os convia, agora o primeiro lugar já tem dono: Monty Python's Flying Circus. A batalha agora é qual dos sketches alcançaram o Graal (perceberam? Graal? Monty Python? como sou engraçado)
O erigido foi O Papagaio Morto:
Sinceramente não se aplica a questão de contestar por injusto o resultado. Só apontar seu favorito. No meu caso é até fácil, sem medo de me render ao clichê, A Piada Mais Engraçada do Mundo:
Há quem resista John Cleese gritando "it's not funny"?
Ainda inspirado na Segunda Guerra Mundial, Sr. Hilter:
Impagável a caracterização de Michael Palin como Sr. Bimmler. É um tapa na cara desses humoristas de meia pataca, principalmente os do meu estado, que acham que basta um homem vestido de mulher para fazer graça
Mesmo um quadro que acho fraco, é acima da média. Quantos programas de humor citam o solene poema And Did Those Feet de William Blake, e continuam engraçados? Soa pomposo? Claro mais esse efeito é desejado e essa é toda diferença:
Sarro com uma instituição inglesa como Agatha Christie
Marcando a cultura pop, SPAM:
Antevendo o futuro, com programas de televisão sem nada de conteúdo recheados de gente louca para aparecer:
Um preferidos dos fãs:
Encerro com o final de A Vida de Brian:
A Sessão Comédia também consagrou um dos grandes engodos na dublagem brasileira no Em Busca do Cálice Sagrado. São antológicas as aparições dos temíveis Cavaleiros que Dizem Ni. Aprisionados por eles, o Rei Arthur e Sir Bedevere devem trazer um "shrubberie" ao covil deles. No desespero, os dois torturaram uma velha dum vilarejo até que por acaso, aparece um shrubberneiro, que oferece seus serviços e salva o dia. Ingenuamente, não só eu, mais todos meus amigos lembrando do trecho, pensavamos que o mote era que "shrubberie" era uma palavra inventada, daí o terror dos personagens. E não é que dois anos atrás vendo o DVD, com som original e legendas, finalmente descubro que "shrubberie" significa "canteiro de jardim". Meio atônito, até usei o zoom no controle remoto para ver o cercadinho no canto da tela. A vida real é que é a verdadeira piada.
Pensei neste post sobre o Monty Python quando li sobre os 50 melhores sketches cômicos de todos os tempos, eleitos pelo site NERVE e o Independent Film Channel. Menos pela honestidade, e mais pelo senso de ridículo não vou comentar os escolhidos e posições, não tenho tarimba o suficiente para fazê-lo. Quem tem um mínimo de conhecimento de cinema, cita uma dezenas de atores emersos do Saturday Live Night, que os tenham vistos no programa é outra história. Lembro-me de ter lido algo sobre os Kids in the Hall, grupo canadense com várias menções na lista, ainda assim eram só umas linhas sobre filmes estrelados pela trupe. The State? Nunca ouvi falar.
Então eles poderiam atulhar o rol da maneira que melhor os convia, agora o primeiro lugar já tem dono: Monty Python's Flying Circus. A batalha agora é qual dos sketches alcançaram o Graal (perceberam? Graal? Monty Python? como sou engraçado)
O erigido foi O Papagaio Morto:
Sinceramente não se aplica a questão de contestar por injusto o resultado. Só apontar seu favorito. No meu caso é até fácil, sem medo de me render ao clichê, A Piada Mais Engraçada do Mundo:
Há quem resista John Cleese gritando "it's not funny"?
Ainda inspirado na Segunda Guerra Mundial, Sr. Hilter:
Impagável a caracterização de Michael Palin como Sr. Bimmler. É um tapa na cara desses humoristas de meia pataca, principalmente os do meu estado, que acham que basta um homem vestido de mulher para fazer graça
Mesmo um quadro que acho fraco, é acima da média. Quantos programas de humor citam o solene poema And Did Those Feet de William Blake, e continuam engraçados? Soa pomposo? Claro mais esse efeito é desejado e essa é toda diferença:
Sarro com uma instituição inglesa como Agatha Christie
Marcando a cultura pop, SPAM:
Antevendo o futuro, com programas de televisão sem nada de conteúdo recheados de gente louca para aparecer:
Um preferidos dos fãs:
Encerro com o final de A Vida de Brian:
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Genro de ouro
Hoje é o dia da sogra. A melhor piada sobre o tema é a daquele governador que não enxerga nada de errado em levar a mãe de sua esposa numa viagem oficial, e ainda reclama de perseguição e deboche.
De tão boa a piada valeu R$ 400.000,00. Quase metade do prêmio do Big Brother da REDE GLOBO, nada mal, hein?
Mas a sério agora, Cid Gomes estaria ao lado do irmão Ciro Gomes, deputado federal pelo PSB-Ce, construindo o que eles chamam de Nova Hegemonia Intelecto-Moral Brasileira. Lembrei-me daquela pilhéria sobre o Sacro-Império Romano Germânico, Não era sacro, nem império, nem Romano e muito menos Germânico.
De tão boa a piada valeu R$ 400.000,00. Quase metade do prêmio do Big Brother da REDE GLOBO, nada mal, hein?
Mas a sério agora, Cid Gomes estaria ao lado do irmão Ciro Gomes, deputado federal pelo PSB-Ce, construindo o que eles chamam de Nova Hegemonia Intelecto-Moral Brasileira. Lembrei-me daquela pilhéria sobre o Sacro-Império Romano Germânico, Não era sacro, nem império, nem Romano e muito menos Germânico.
domingo, 27 de abril de 2008
You got me begging you for mercy
A Inglaterra é um país sui generis. Pense no surgimento dos Punks que começou nas ilhas. O movimento defendia o "Do Yourself", mas observando mais de perto via-se que isto não significava faça de qualquer jeito. Os Sex Pistols eram anarquistas sim, mas com um empresário espertíssimo para o markenting, Malcom Mclaren, e com uma estilista oficial que milimetricamente escolhia onde estariam os rasgões e quanto desgastadas estariam as roupas, Viviane Westwood. Na superfície pregava o desleixo com músicas de três minutos com dois acordes, mas gerou um dos grupos mais sofisticados musicalmente que já existiram na história do Rock, The Clash, que no seu auge produziu um álbum triplo: Sandinista. Afora que Joe Strummer e Mick Jones são dois exemplos de roqueiros articulados.
Um resenhista sem criatividade começaria neste ponto a si perguntar sobre as propriedades mágicas da água que os ingleses bebem, como não é o caso entrego o ouro, primorosa educação (e claro, também o sistema de saúde universal ajuda um pouco) dedicado aos súditos de Sua Majestade. Até temos músicos que produzem música para descerebrados como o Iron Maiden mas gente como Bruce Dickson tem impecáveis credenciais acadêmicas.
São raros os casos em que os músicos britânicos não têm educação superior, não necessariamente graduação em música, caso dos integrantes do Queen, mas mesmo os "excluídos" há gente como David Bowie. Recentemente o guitarrista do Radiohead assombrou o mundo ao compor a impressionante trilha sonora do filme Sangue Negro, Jonny Greenwood estudou composição no vestuto Oxford Brookes University e há quatro anos é o compositor residente da BBC Concert Orchestra, na supracitada trilha usou com autoridade marcas da música erudita como atonalismo e dissonância. Antes que deixe batido, é o país do Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin.
O reflexo disso é uma imprensa especializada de primeira, não apenas no jornalões mais revistas segmentadas. Pense em quantas revistas de circulação nacional existem aqui no Brasil, de cabeça só lembro de duas: Bizz (sempre em vias de cancelamento) e Rolling Stone Brasil, mensais e de tiragem pífia. Na velha Albion essas publicações são semanais, vendem muito, bem escritas, e são influentes, caso do New Musical Express. Na verdade a disputa é tão acirrada que é voraz a caçada para o nova sensação, o hype no jargão da crítica. Existe muito exagero na consagração, como no caso aos Libertines, mas não nos méritos de quem é erigido: Franz Ferdinand, Klaxons, Arctic Monkeys.
A nova febre são cantoras de acento soul, que pipocam numa velocidade alucinante. É até engraçado pensar que Joss Stone é uma veterana com 3 discos na praça, e como tal, já tem que se preocupar em guinadas e reinvenções para manter-se em evidência. Causa estranheza que a outrora gatinha do Soul, que cantava descalça com aqueles vestidões floridos levementes hippies, surja agora de saltos altíssimos, piercing na barriga, sempre à mostra, cabelo tingido de vermelho. Mas é prudente maneirar na patrulha, Stone é jovem, linda e com dinheiro e Introducing Joss Stone tem boas faixas.
Na segunda onda estavam Lily Allen e a maravilhosa (e perdida) Amy Winehouse, que tomara Deus que o próximo disco da última não seja póstumo.
Agora na nova leva é a vez de Kate Nash, Adele e Duffy. Incrível é que todas são muito jovens, Adele tem só dezenove anos. Falando sobre Kate Nash o grande crítico da New Yorker, Sasha Frere-Jones aponta que estourou cedo demais e como suas letras são sempre confessionais é um problema, uma garota tem um universo muito restrito, o que cansa a audição de um disco ou show inteiro (para quem lê em inglês uma dica é ler seu blog no site da revista).
Nash estorou com a música Foundations:
Um resenhista sem criatividade começaria neste ponto a si perguntar sobre as propriedades mágicas da água que os ingleses bebem, como não é o caso entrego o ouro, primorosa educação (e claro, também o sistema de saúde universal ajuda um pouco) dedicado aos súditos de Sua Majestade. Até temos músicos que produzem música para descerebrados como o Iron Maiden mas gente como Bruce Dickson tem impecáveis credenciais acadêmicas.
São raros os casos em que os músicos britânicos não têm educação superior, não necessariamente graduação em música, caso dos integrantes do Queen, mas mesmo os "excluídos" há gente como David Bowie. Recentemente o guitarrista do Radiohead assombrou o mundo ao compor a impressionante trilha sonora do filme Sangue Negro, Jonny Greenwood estudou composição no vestuto Oxford Brookes University e há quatro anos é o compositor residente da BBC Concert Orchestra, na supracitada trilha usou com autoridade marcas da música erudita como atonalismo e dissonância. Antes que deixe batido, é o país do Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin.
O reflexo disso é uma imprensa especializada de primeira, não apenas no jornalões mais revistas segmentadas. Pense em quantas revistas de circulação nacional existem aqui no Brasil, de cabeça só lembro de duas: Bizz (sempre em vias de cancelamento) e Rolling Stone Brasil, mensais e de tiragem pífia. Na velha Albion essas publicações são semanais, vendem muito, bem escritas, e são influentes, caso do New Musical Express. Na verdade a disputa é tão acirrada que é voraz a caçada para o nova sensação, o hype no jargão da crítica. Existe muito exagero na consagração, como no caso aos Libertines, mas não nos méritos de quem é erigido: Franz Ferdinand, Klaxons, Arctic Monkeys.
A nova febre são cantoras de acento soul, que pipocam numa velocidade alucinante. É até engraçado pensar que Joss Stone é uma veterana com 3 discos na praça, e como tal, já tem que se preocupar em guinadas e reinvenções para manter-se em evidência. Causa estranheza que a outrora gatinha do Soul, que cantava descalça com aqueles vestidões floridos levementes hippies, surja agora de saltos altíssimos, piercing na barriga, sempre à mostra, cabelo tingido de vermelho. Mas é prudente maneirar na patrulha, Stone é jovem, linda e com dinheiro e Introducing Joss Stone tem boas faixas.
Na segunda onda estavam Lily Allen e a maravilhosa (e perdida) Amy Winehouse, que tomara Deus que o próximo disco da última não seja póstumo.
Agora na nova leva é a vez de Kate Nash, Adele e Duffy. Incrível é que todas são muito jovens, Adele tem só dezenove anos. Falando sobre Kate Nash o grande crítico da New Yorker, Sasha Frere-Jones aponta que estourou cedo demais e como suas letras são sempre confessionais é um problema, uma garota tem um universo muito restrito, o que cansa a audição de um disco ou show inteiro (para quem lê em inglês uma dica é ler seu blog no site da revista).
Nash estorou com a música Foundations:
O marcante nela é seu canto quase falado e estilo metralhadora, ouça aqui a cover de Flourescent Adolescent dos Arctic Monkeys:
Já Adele, ganhou a (injusta) pecha de clone de Amy Winehouse. Hehe! Ok vamos admitir esta hipótese por um momento. Ele já teria o mérito de copiar aquilo que já é bom, e consegue um grande resultado. Ficaria com a opinião do personagem de Orson Welles no filme Verdades e Mentiras defendendo que uma boa falsificação de uma obra de arte é tão válida quanto a original.
Esta é minha música favorita dela, Could Shoulder:
Há quem diga que essas cantoras são "inventadas" por produtores como Mark Ronson. Bem seguindo na linha que expus acima, se for isso mesmo, parabéns então a esses caras. São grandes ilusionistas e entregam entretenimento de primeira. Bem diferente dos picaretas aqui do Brasil como Rick Bonadio, que lançou os trambiques Rouge e CPM22.
Chegamos na minha nova diva, Duffy. Uma jovem galesa de 23 anos. Ouça a faixa título de seu CD, Rockferry:
Ela dominou as paradas com a fusão do soul e um quê de country de Mercy:
Aqui você pode ver o clip americano, prefiro o que postei acima veja os dois e faça sua escolha.
Agora a música que me fez minha sedição incondicional é Delayed Devotion. Sei até o momento exato. Nos versos: When I drop you boy/ You'll need another toy/ One that won't stand up for herself/ When I knock you down. Irresistível!! (recomendo que busque as letras de todos os vídeos, são muito boas, sem exceção)
Agora o que é bizarro é que pensando na letra de Delayed Devotion me dei conta que tem o mesmo mote de Baba Baby de Kelly Key. Hehe! Com a diferença crucial que Duffy canta de verdade, e sua música é linda.
Dá ou não dá uma inveja danada dos ingleses, eles: Joss Stone, Amy Winehouse, Kate Nash, Adele, Duffy. Nós Wanessa Camargo, Sandy, Liah, Marjoire Estiano, Perlla...
É impressão minha ou estou ouvindo: "You got me begging you for mercy".
Esta é minha música favorita dela, Could Shoulder:
Há quem diga que essas cantoras são "inventadas" por produtores como Mark Ronson. Bem seguindo na linha que expus acima, se for isso mesmo, parabéns então a esses caras. São grandes ilusionistas e entregam entretenimento de primeira. Bem diferente dos picaretas aqui do Brasil como Rick Bonadio, que lançou os trambiques Rouge e CPM22.
Chegamos na minha nova diva, Duffy. Uma jovem galesa de 23 anos. Ouça a faixa título de seu CD, Rockferry:
Ela dominou as paradas com a fusão do soul e um quê de country de Mercy:
Aqui você pode ver o clip americano, prefiro o que postei acima veja os dois e faça sua escolha.
Agora a música que me fez minha sedição incondicional é Delayed Devotion. Sei até o momento exato. Nos versos: When I drop you boy/ You'll need another toy/ One that won't stand up for herself/ When I knock you down. Irresistível!! (recomendo que busque as letras de todos os vídeos, são muito boas, sem exceção)
Agora o que é bizarro é que pensando na letra de Delayed Devotion me dei conta que tem o mesmo mote de Baba Baby de Kelly Key. Hehe! Com a diferença crucial que Duffy canta de verdade, e sua música é linda.
Dá ou não dá uma inveja danada dos ingleses, eles: Joss Stone, Amy Winehouse, Kate Nash, Adele, Duffy. Nós Wanessa Camargo, Sandy, Liah, Marjoire Estiano, Perlla...
É impressão minha ou estou ouvindo: "You got me begging you for mercy".
Trívia
Que tal um teste nerd? Tente identificar as silhuetas dos personagens de desenhos animados que segue abaixo.
Existem algumas barbadas, mas reconhecer todos é feito para entrar no Hall da Fama dos Nerds. Na minha vez deixei passar quatro, dois deles até me eram familiares, mas olímpicamente descartei na contagem final. Os outros dois. nunca tinha ouvido falar antes.
Clique aqui, para ter uma imagem ampliada.
Existem algumas barbadas, mas reconhecer todos é feito para entrar no Hall da Fama dos Nerds. Na minha vez deixei passar quatro, dois deles até me eram familiares, mas olímpicamente descartei na contagem final. Os outros dois. nunca tinha ouvido falar antes.
Clique aqui, para ter uma imagem ampliada.De volta a ação
Há duas maneiras de explicar a ausência de postagens nos últimos meses.
A polida: por razões pessoais decidi tirar o mês de março para um sabático, o problema é que o tempo passou e continuei sem escrever. É exagerado dizer que passei por um bloqueio criativo, mas realmente não me sentia estimulado a voltar ao "batente". Escrever ainda é um martírio, me chateia a quantidade de texto que jogo fora ou as inúmeras revisões que me imponho antes da versão final, mas sem mais choradeiras tenho muito orgulho de algumas destas resenhas, como aquela do comercial com Martin Scorcese.
Matutava um ou outro post avulso, mas ia deixando passar. Não é intenção do blog atulhar um monte de mensagens do calibre "Pessoal olha isso q é mucho LOCO!!!". Em vez disso criar um espaço de reflexão, desafeto de qualquer pedantismo, e divulgação de uma ou outra coisa que me comova, para com sorte, esse sentimento atinja meu leitor.
Confesso que tive uma pequena satisfação nesse sentido quando um dos meus diletos amigos, com sua generosidade habitual me intimou a retomar a escrever. Uma pequena vitória então! E eis que me encontro aqui de madrugada teclando com umas três idéias rodando a cabeça, se o sono não chegar antes consigo desová-las. Não vou prometer que será a última vez, só continuar enquanto uma nova estiagem não chega.
A segunda explicação, [módulo Gregory House ON]: Cara isto aqui é para diversão, se nem eu consigo isso, por corolário você também não conseguirá, não acha, ou você é retardado mesmo? [módulo Gregory House OFF]
Boa noite.
----------------
Now playing: Cranberries - I Still Do
via FoxyTunes
A polida: por razões pessoais decidi tirar o mês de março para um sabático, o problema é que o tempo passou e continuei sem escrever. É exagerado dizer que passei por um bloqueio criativo, mas realmente não me sentia estimulado a voltar ao "batente". Escrever ainda é um martírio, me chateia a quantidade de texto que jogo fora ou as inúmeras revisões que me imponho antes da versão final, mas sem mais choradeiras tenho muito orgulho de algumas destas resenhas, como aquela do comercial com Martin Scorcese.
Matutava um ou outro post avulso, mas ia deixando passar. Não é intenção do blog atulhar um monte de mensagens do calibre "Pessoal olha isso q é mucho LOCO!!!". Em vez disso criar um espaço de reflexão, desafeto de qualquer pedantismo, e divulgação de uma ou outra coisa que me comova, para com sorte, esse sentimento atinja meu leitor.
Confesso que tive uma pequena satisfação nesse sentido quando um dos meus diletos amigos, com sua generosidade habitual me intimou a retomar a escrever. Uma pequena vitória então! E eis que me encontro aqui de madrugada teclando com umas três idéias rodando a cabeça, se o sono não chegar antes consigo desová-las. Não vou prometer que será a última vez, só continuar enquanto uma nova estiagem não chega.
A segunda explicação, [módulo Gregory House ON]: Cara isto aqui é para diversão, se nem eu consigo isso, por corolário você também não conseguirá, não acha, ou você é retardado mesmo? [módulo Gregory House OFF]
Boa noite.
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