terça-feira, 30 de setembro de 2008

Uma nova frente de trabalho (hehe!) na internet (Bwahahahahaha!!)

Este blog me faz sentir como Grady Tripp, personagem de Michael Douglas em Garotos Incríveis (Wonder Boys, Estados Unidos, 2000). Ele está há dez anos escrevendo um livro, que já tem mais de duas mil páginas e sem vislumbrar um final. Tenho vários posts que vão se acumulando no arquivo, que não sabendo bem como fechá-los, aliado a compulsivas revisões acabam encostados. Um deles me assombra a uma semana e meia, fala sobre as eleições de agora no final de semana, mas sempre estou reescrevendo, juntando novos fatos e sabe-se lá quando ele verá a luz do dia, embora deva fazer um esforço concentrado para fechá-lo até sexta próxima.
Curioso é que não estou exatamente decepcionado com o blog, imaginar os posts, edita-los, jogar-los fora, começar de novo me vem ajudando enormemente a raciocionar melhor, organizar idéias, ser um prepotente arrogante um pouco menos pedante, com alguma fração de pensamento que se salva.
O que se perde é a sacada, o mote, o tempo da piada, como as charges que tem uma urgência e precisam ser divulgadas no calor da hora, nesse sentimento é que decidi criar uma conta no Twitter. A desencanação do "o que você está fazendo" em 140 caracteres me anima, já que sempre fui fã de mestres do aforismo (e da ironia) como Voltaire, Oscar Wilde e H. L. Mencken.
A busca por um texto inteligente e bem humorado continua, mas enquanto neste espaço tentarei resgatar um espírito mais reflexivo, analítico; lá teremos algo mais factual, declaradamente leve, no sentido que Ítalo Calvino definia, sem deméritos na "literatura ligeira".
Os parcos leitores daqui, estão convidados a visitar-me também no endereço twitter.com/alexmelo. Divirtam-se pois é o que estou fazendo.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Tomara que pelos menos alguém esteja se divertindo com isso

Na propaganda eleitoral na televisão hoje, uma candidata a vereadora se comprometeu a obrigar a Prefeitura de Fortaleza assinar as carteiras profissionais de carteiros, e lutar para que os Correios (que não custa esclarescer é uma empresa federal, sem ligação com o poder municipal) façam mais concursos para o cargo ???!!!

sábado, 9 de agosto de 2008

Jogando para a platéia

Não importa o preço do barril de petróleo, o taxa de juros do Tesouro Americano ou a SELIC no Brasil, o índice BOVESPA; sempre foi um bom negócio ludibriar a platéia, e disso a cúpula da REDE RECORD sabe muito bem (e mais não falo, pelo risco de sofrer um processo).
Neste domingo a RECORD divulga que exibirá no TELA MÁXIMA, Mr Bean - Um Agente Muito Louco. Relevando essa cretinice do subtítulo, tem um outro problema, o Mr. Bean não está no filme. Ok, o filme é com seu intérprete, Rowan Atkinson, tem os mesmos trejeitos, só que desta vez o personagem, que dá nome ao filme no original (e inclusive ao DVD, pode procurar) é Johnny English.
O cartaz é tirado do site da emissora, que nem se deu o trabalho de editá-lo.
A RECORD que vem copiando tão descaradamente a GLOBO para alavancar sua audiência, como aluna aplicada repete a tradição da "Vênus Platinada" da manipulação de informação. Parabéns!!

quarta-feira, 30 de julho de 2008

O fim da civilização como a conhecemos

Então você tem uma sessão de filmes nomeada de CINE BELAS ARTES, e você agenda para apresentar logo a adaptação live-action do Scooby-Doo, que aliás é mais fraco que a continuação.
Não é sacanagem, confira no link.
E olha que o SBT tem o catálogo dos filmes de Stanley Kubrick, Michael Mann, os últimos deMartin Scorcese (menos Gangues de Nova York).

domingo, 22 de junho de 2008

I Ching

O oráculo gosta de pregar peças.
Na escolha aleatória do tocador de mídia do computador, juntou I've Fallen In Love With You, de Joss Stone para em seguida aparecer Suor Times, do Portishead, sem motivo começo a rir.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Vida inteligente na madrugada, sério!!

Qual meu filme favorito? Para mim esta pergunta tem um significado bem específico, não é o melhor que assisti (até a data? Laranja Mecânica), também não é a raridade cult que praticamente ninguém mais viu (A Estrada Perdida), ou ainda o título odiado pela crítica (A Praia), nem a bobagem trash que desperta um estranho orgulho em defendê-la (Re-Animator), Para mim é aquele que estabeleceu não apenas uma singularidade quase instantânea comigo, mas que ao longo dos anos esta conexão só fez aumentar. Assim não tenho só um filme favorito, são três.
É verdade que assiste-os nos meus "anos de formação", dos 13 aos 17, só que não me rendo ao clichê. Acho desolador pessoas que não mais consigam se sensibilizar, ou que se tornam reféns dos gostos e códigos de uma época supostamente idílica. Espero ter deixado claro acima que minhas escolhas não são preponderamente cerebrais, também o são, mas há o elemento visceral. E com alegria que digo ser razoável que mais quatro filmes ascenderam ao panteão, e todos foram lançados depois de extraídos meus dentes do siso. Na ordem: Amnésia (Memento), Os Incríveis, Sunshine - Alerta Solar e Ratatouille. Só que isto é conversa daqui para dez anos.
A presente tríade sagrada, é harmônicamente dividida em: aquilo que eu sou, aquilo que amo, minha visão de mundo. Este post é dedicado ao último, se o tema surgir falo dos outros dois (uma dica: o primeiro é polônes, e o segundo, inglês).
Nesta sexta-feira no CORUJÃO da REDE GLOBO exibirá MASH de Robert Altman. Duvido que comece antes das três da madrugada... Pena, é uma das melhores comédias do cinema, deve existir uma regra tácita na televisão aberta que bane qualquer coisa remotamente inteligente a clandestinidade.
O título é um acrónimo em inglês de Hospital Cirúgico-Médico Móvel do Exército, e ação se passa na Guerra da Coréia. À primeira vista, parece de mal-gosto uma comédia sardônica numa guerra, ainda mais num acampamento médico. Só que o comportamento hedonista dos integrantes, acaba sendo um dos mais poderosos líbelos pacifistas já feitos. Produzido no mesmo período da Guerra do Vietnam, produzia um ligação, consciente, que demonstrava que ao contrário da Segunda Guerra Mundial, que combateu um sistema facínora, as duas eram batalhas sem lógica, pelo que afinal os EUA se meteram nessas duas enrascadas?
Aqui se burila o que no futuro seria a marca de Robert Altman, o estilo multifacetado com várias histórias e personagens que se entrecruzam, consagrado em Nashville, e elevado ao estágio sublime em Short Cuts - Cenas da Vida.
Por isso o filme é uma impagável sucessão de micagens e pegadinhas. As melhores são dirigidas contra o major certinho interpretado por Robert Duvall e a enfermeira-chefe, que depois de juntos serem desmascarados, passa a ser chamada de Hot Lips (lábios quentes).
Outra é quando o dentista residente, que por ser extremamente bem dotado, hããã e não me refiro aos seus méritos intelectuais, ganha o apelido de Painless (sem-dor), se descobre impotente e decide que a vida não tem mais sentido decidindo suicidar-se. Seus companheiros ao saber disso, em vez de solidarizar-se com o homem do jeito contrito, fazem uma festa de despedida de aromba. O ponto alto é quando apresentam uma música especialmente composta para a ocasião: Suicide Is Painless.


Não se deixe enganar, é uma das películas das mais argutas. Possivelmente este seja o motivo para que Robert Altman, o diretor, desprezasse a série de TV baseada no filme, o conteúdo político foi esvaziado em detrimento da comédia (o clip no alto é uma montagem com cenas do seriado). Para o imenso desgosto de Altman, houve 11 temporadas na televisão. M*A*S*H*, a série é uma espécie de Roque Santeiro americano, seu último episódio foi a maior audiência da história da televisão de lá. Salvo engano, o recorde se mantém até hoje.
MASH no Corujão de hoje, isso sim é que é vida inteligente na madrugada!

Atualizado:
  1. A GLOBO não facilita em nada. Jô Soares voltou das férias ainda mais preguiçoso, e com convidados soporíferos, para completar na seqüência, no INTERCINE estava programado a bomba Halloween - Ressurreição. Tirei uma soneca esperando o CORUJÃO. Lamentavelmente quando acordei já tinha corrido uma hora de MASH. Ainda sim valeu a pena, continua irretocável, e com o tempo só melhora.
  2. Vai entender. A mesma classificação indicativa do Ministério da Justiça que tasca um selo vermelho (restrito para maiores de 16 anos) para HOUSE, o que o impede de ser exibido antes da 23 horas, por linguagem forte, insinuação sexual, morte e drogas; deu um verde (livre para qualquer público) para MASH. Taí mais um exemplo de que a censura é essencialmente tacanha, e de que o humor é a arma de inteligência suprema, subversivelmente enganando o sistema.
  3. Deu um pouco de trabalho, mas achei a cena no YouTube onde tocam Suicide Is Painless, repare que no comecinho eles reproduzem as mesmas marcações d'A Última Ceia" de Leonardo DaVinci.